Milton Alves Júnior
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Confronto, desentendimento e muito choro. Essa foi a realidade de aproximadamente 40 famílias que residiam há um ano no bairro Santa Maria e na manhã de ontem foram despejadas de barracos construídos em local inadequado e que pertencem à Prefeitura de Aracaju. Diante do impasse entre populares e funcionários da Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb), agentes da Guarda Municipal e Polícia Militar do Estado de Sergipe foram acionados com o propósito de apaziguar o clima de nervosismo. Alegando não ter outro local para morar, muitos criticaram a administração municipal quanto uma possível desassistência social.
Um fato inusitado ocorreu por volta das 9h30. Enquanto muitos moradores tentavam a todo custo evitar o processo de desmoronamento dos barracos, outras famílias aproveitavam o conflito e desatenção dos policiais para reerguer palafitas que já haviam sido derrubadas na tarde da última quinta-feira, 20. Sem receber auxílio moradia ou casas populares de forma temporária, as mais de 200 pessoas garantiram que não iriam deixar o espaço em decorrência de falsas promessas feitas pela atual administração municipal no ano passado quando mais de 450 pessoas foram retiradas do bairro 17 de Março.
Desempregada e avó de seis netos, Naira Farias dos Santos disse que as promessas feitas no ano passado pelos órgãos da prefeitura não foram cumpridas e por isso as pessoas decidiram invadir a área. "A gente preencheu uns documentos que eles mesmos fizeram lá e até agora nada de bom foi repassado pra gente. Por isso que faz mais de oito meses que estamos aqui. Se a gente não tem pra onde ir, o jeito é brigar pra continuar morando aqui", disse. Durante o diálogo, os habitantes disseram que iriam retirar os respectivos pertences de dentro dos barracos, mas que futuramente iriam retornar para o local.
No final da tarde de ontem o Jornal do Dia flagrou alguns invasores já se preparando para reconstruir os barracos destruídos. Uma dessas pessoas foi a aposentada Eliane Alves dos Santos que no período da manhã concedeu entrevista e garantiu que iria retornar o mais breve possível para o terreno. "Eu disse que nossa situação era complicada e que era a prefeitura derrubando os barracos e a gente montando outra vez. Se a gente não tem para onde ir, o jeito é ficar nessa briga de cão e gato mesmo", disse.
Segundo o tenente da Guarda Municipal, Jonatas Souza, o mandado de desapropriação foi solicitado pela direção da Emurb e os agentes estavam no espaço apenas para cumprir ordens.


