Clandestinos fecham ponte

Taxistas clandestinos promoveram na manhã de ontem mais um protesto na zona Sul de Aracaju. Desta vez, o grupo seguiu até a movimentada ponte que interliga os bairros 13 de Julho e Coroa do Meio, onde bloquearam o fluxo de veículos em ambos os sentidos ao criar uma barreira de fogo utilizando pedaços de madeira, lixo e dezenas de pneus. Distante alguns quilômetros do local já era possível ter dimensão da desordem gerada pelo grupo que pede, em especial, a autenticidade do exercício e o fim das ações fiscalizatórias desenvolvidas pelos órgãos competentes: Detran e SMTT. Diante da manifestação, centenas de motoristas foram obrigados e mudar de rota.
Segundo a Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito, a mobilização ocorreu de forma espontânea, ou seja, sem uma articulação prévia. O impasse iniciado por volta das 7h50, e que seguiu até as 9h, ocorreu após guarnições da SMTT terem apreendido um veículo que fazia transporte irregular de passageiros da Coroa do Meio para o centro da capital. Ao ser flagrado, motorista clandestino confessou que promovia o transporte de passageiros sem devida autorização e cobrava em média R$ 3,50 por pessoa. Revoltados com a postura adotada pelos agentes, outros taxistas alternativos se aproximaram do local de conflito e decidiram protestar contra a Prefeitura de Aracaju.
Mas a revolta intensa mesmo ficou por conta dos aracajuanos que foram impedidos de transitar pela ponte. Na avaliação de Emerson Pires dos Santos, o direito de protesto é previsto em lei, porém ele ressalta as condições para que o movimento democrático de fato esteja dentro da racionalidade judicial. "Estou falando como taxista e, principalmente, como cidadão que pago os impostos: já passou o tempo de pegar e prender todos esses clandestinos que fazem baderna e causam esse tipo de tumulto. Início de semana, todo mundo ocupado indo para a escola, trabalho ou médico e a gente se encontra na obrigação de desviar pelo extremo da cidade. Protestar é um direito desde que você esteja lutando por uma causa legal", criticou.
Quanto ao veículo apreendido, a SMTT informou que ele foi encaminhado ao pátio do órgão e para ser retirado o proprietário necessita pagar multa no valor de R$ 957,00, mais diária no valor R$ 80,00, além do reboque. O condutor foi liberado na manhã de ontem após ser ouvido pelos agentes. Devido ao conflito, os taxistas clandestinos não descartam a possibilidade de promover outros atos semelhantes ainda esta semana. A meta é chamar a atenção das autoridades municipais.
Revoltado com a pressão atribuída pela fiscalização de trânsito, o ‘alternativo’ Alisson dos Santos aproveitou o momento de ontem para cobrar dos vereadores celeridade no processo de legalização. "A nossa luta só vai acabar quando o prefeito e os vereadores aprovarem nossa legalização. Estamos trabalhando, não estamos nas ruas roubando ninguém. Além disso, pode perguntar aos moradores daqui da Coroa do Meio e do Santa Maria por exemplo como é importante nosso trabalho. A gente chega onde os ônibus não passam. As manifestações vão continuar sim, querendo ou não essa SMTT opressora", avisou.

Compartilhe esta notícia