Greve na saúde municipal de Aracaju atinge dez categorias

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Com os salários atrasados e demais direitos trabalhistas usurpados, centenas de servidores que atuam nas unidades de saúde administradas pela Prefeitura de Aracaju iniciaram mais um movimento grevista por tempo indeterminado. Com a adesão de dez categorias e paralisação de 70% do efetivo, a perspectiva é de aproximadamente 800 profissionais de braços cruzados. Situação financeira difícil para a classe trabalhadora, porém ainda pior para milhares de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) que necessitam da assistência técnica, médica e social. Estatísticas apresentadas pela Secretaria Municipal de Saúde indicam diminuição de cinco mil atendimentos diários durante a greve.
Em síntese, o mês de agosto começou bastante semelhante a janeiro deste ano quando os salários referentes a dezembro do ano passado só foram quitados no dia 21/08/2016. Diante da atual crise administrativa vivenciada pela PMA, a esperança de todos estava em uma possível resposta positiva a ser apresentada pelo prefeito João Alves Filho logo após o início da greve. No período da manhã João não havia prestado esclarecimentos sobre o atraso salarial; já no período da tarde a assessoria de comunicação da Secretaria de Planejamento e Governo tentou explicar o problema, mas parece ter confundido e revoltando ainda mais os servidores.
Em nota encaminhada ao Jornal do Dia, a Seplog informou que: "A prefeitura de Aracaju vem a público esclarecer a respeito da greve dos servidores da Saúde que alegam o não recebimento de férias, décimo terceiro e salário atrasado. O direito de greve é constitucional, no entanto, houve uma queda orçamentária prejudicada pela perda de recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), sendo que muitos setores da PMA foram prejudicados. O calendário de pagamento do mês de julho foi iniciado no dia 29, férias começaram a ser pagas e sobre o décimo terceiro a equipe econômica da PMA está em busca de uma solução para tal medida", disse.
Na avaliação feita pelos líderes sindicalistas, a prefeitura tentou se explicar sobre a demora no cumprimento dos direitos trabalhistas, mas acabou se atrapalhando no contexto e não informou nada. Para a nutricionista Ana Michele, o fato de a prefeitura já ter iniciado o pagamento de outros blocos formados por categorias que não se enquadram na saúde não implica servir de consolo para médicos, enfermeiros, nutricionistas, agentes de combate a endemias e demais profissões.
"Ficou parecendo que como já começaram o pagamento de outros servidores, a nossa data está se aproximando e a gente tem que esperar mesmo. Esperar até quando prefeito João Alves? As nossas contas não esperam e para piorar a situação, a gente não tem nem data certa para receber nossos salários", afirmou. A direção do Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Sergipe informou que a decisão da greve foi reforçada pelo atraso salarial do mês de julho, não pagamento de 1/3 de férias, o 13º salário e ao não cumprimento do acordo anunciado pela gestão que deu fim à greve de 45 dias.
O acordo previa o reajuste salarial de 4,42%. O próximo ato acontecerá na próxima sexta-feira, dia 12, às 07h, no Calçadão da Praia Formosa, situado no bairro 13 de Julho. O SEESE enaltece ainda que o impasse entre os funcionários do SUS e a gestão do prefeito João Alves se arrasta desde o mês de dezembro do ano passado quando uma lista de reivindicações foi apresentada, a pedidos do próprio prefeito, junto ao poder executivo municipal. Desde então as categorias não foram convidadas para debater esses assuntos.

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