Kátia Azevedo
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Às vésperas de completar 12 anos, o Colégio Militar de Sergipe (CMSE) anunciou que deixará de funcionar a partir de 2013. De acordo com informações divulgadas pela direção da instituição, a unidade de ensino enfrenta dívidas da Caixa Beneficente da Polícia Militar, cujas contas estão bloqueadas.
O colégio foi fundado em 18 de dezembro de 2000 pela Associação Beneficente dos Servidores Militares de Sergipe (ABSMSE), com o objetivo de oferecer educação de qualidade ao público em geral, bem como à família policial militar. Cerca de 450 alunos estudam no espaço, localizado na rua Boquim, 185, Centro de Aracaju.
A unidade oferta educação infantil, ensino fundamental e médio, além de promover práticas esportivas como natação, karatê, futsal, basquetebol, GRD, voleibol e xadrez. As atividades só irão funcionar até o dia 18 de dezembro. Com o bloqueio das contas da Caixa Beneficente desde o ano passado, o colégio vem passando por problemas financeiros.
À frente da Caixa Beneficente, o coronel Pontual, juntamente com a direção da escola aponta como uma das principais causas do fechamento o grande volume de débitos. Segundo ele, as contas da Caixa Beneficente da Polícia Militar do Estado de Sergipe estão bloqueadas e por causa desse problema, as dívidas do colégio, incluindo salário de professores e funcionários não poderão ser honradas no próximo ano.
"Fui informado pelo sócio minoritário do colégio que toda a receita do colégio também está sendo bloqueada. Isso inviabiliza o funcionamento do colégio para o próximo ano. Tivemos que escolher entre realizar matrícula ou pagarmos os funcionários e despesas fixas e variáveis, porque a justiça já mandou bloquear a verba das matrículas que entram", afirma coronel Pontual.
Ele destaca que o prédio onde funciona o colégio já foi leiloado e que o próprio colégio saldou a dívida, mas por falta de pagamento o prédio já está retornando. "O colégio vai mesmo fechar. Já tomamos essa decisão para que os associados entendam a gravidade da situação. A caixa beneficente, que é a sócia majoritária do colégio, estava sem dinheiro e os associados entraram na justiça. Com isso, houve o bloqueio da receita do colégio", explica.
Atualmente, a unidade de ensino possui 40 funcionários e 450 alunos. Os estudantes devem ser transferidos para outras escolas. O risco de demissão vem gerando apreensão entre os funcionários. Todos já receberam salário, mas não há certeza se há recursos para o pagamento do 13º salário.
A notícia do fechamento do colégio provocou surpresa e tristeza entre os alunos, pais e funcionários. "Estudo aqui desde a fundação do colégio. Uma parte da minha história está indo embora, pois estudo aqui desde criança. Estou muito triste com o fechamento", lamenta a estudante Estefany Vieira, que está concluindo o ensino médio.
Na avaliação do sargento Lucival, que já foi professor e diretor da escola, a unidade apresenta problemas gerenciais. Ele relembra a história do colégio e a sua importância ao longo dos doze anos de existência. "Dois dos meus filhos já estudaram aqui e o mais novo ainda estuda. É muito triste saber que agora o colégio vai fechar", observou.
Com o anúncio do fechamento, muitos pais já começaram a procurar novas escolas para matricular os filhos. Em assembleia realizada na tarde da última quarta-feira, 28, professores e funcionários foram informados sobre o fechamento. O prédio foi leiloado para quitar dívidas trabalhistas e fiscais. Além do imóvel onde funciona o Colégio Militar, também já foi leiloado o terreno onde estão a quadra e a área da piscina.
A diretoria do CMSE informou que não haverá assembleia para comunicar os pais e alunos do fechamento. Um comunicado já foi enviado para as residências dos alunos. Quanto à validade do certificado dos alunos que estão concluindo curso, a direção informou que o fechamento não interfere neste aspecto.


