Milton Alves
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Depois de 72 horas de suspensão dos servi-ços, a empresa Torre finalmente entrou em acordo com a Prefeitura de Aracaju e ordenou que mais de 600 funcionários retornassem aos trabalhos. A decisão foi adotada na noite da última sexta-feira, 14, quando a cidade já vivenciava um amplo desconforto higiênico diante da imensidão de lixo domiciliar espalhado pelas vias públicas e terrenos baldios. Passava das 23h quando os caminhões começaram a deixar as garagens da empresa e iniciar um mutirão de limpeza que está previsto para ser concluído já na tarde deste domingo em todos os bairros da capital sergipana. Durante os três dias de paralisação, mais de 2.500 toneladas de lixo deixaram de ser coletadas.
A paralisação da Torre teve início já na primeira semana deste ano quando uma suspensão das atividades públicas ocorreu no dia 7 de janeiro e contou com um ato de protesto no bairro São Conrado. Já no dia 15 de junho, os trabalhadores cessaram o serviço em virtude de uma dívida da prefeitura de quase R$ 20 milhões, na qual interferia diretamente no salário dos profissionais. Depois de horas de diálogo a greve foi suspensa, mas voltou a ser registrada na segunda quinzena do mês passado após a categoria ter se deparado com a não quitação de débitos que deveria ser pago pela Prefeitura de Aracaju. Mesmo diante do novo acordo firmado, nada impede que outras mobilizações não sejam realizadas já nos próximos dias. Para isso ocorrer, basta o prefeito João Alves Filho, mais uma vez, descumprir o acordo.
No auge da polêmica discussão administrativa entre o governo municipal e a direção da Torre, a Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), responsável por contratar o serviço de coleta domiciliar em Aracaju, foi proibida de conceder informações quanto ao diálogo interno entre ambas as partes. Com o fim da paralisação, diretores do órgão público voltaram a se pronunciar oficialmente e garantiram que uma ação tipo força tarefa tenta regularizar toda a demanda de lixo gerada nos últimos três dias. Entre os bairros que seguiam pendentes até à tarde de ontem estavam Siqueira Campos, Suissa e 13 de Julho, que será completamente regularizada no dia de hoje. Na manhã de ontem dezenas de garis e margaridas, com o apoio de tratores e caminhões, já atuavam nas intermediações dos bairros citados.
Com relação à coleta diurna, o órgão informou que permanece atuando em toda região Sul que vai da avenida Francisco Porto até a Zona de Expansão. Na tarde de ontem a zona Norte foi atendida com implementação de um plano B, que envolve servidores da própria Emsurb juntamente com a empresa Torre. Sobre a remoção de entulhos, a empresa também reforçou que todos os serviços emergenciais seguem sendo promovidos dentro da programação que, inclusive, conta com uma máquina tipo retroescavadeira para manutenção no entorno das caixas coletoras. "Estava preocupada porque achei que o lixo desse final de semana iria se juntar aos da semana passada, e imaginem vocês o problemão que iria causar para a gente. Fico aliviada com essa boa notícia", disse a nutricionista Danielle Calazans que reside no bairro Cirurgia.
Por fim, a Assessoria de Comunicação da Emsurb destacou que equipes que compõem o programa Cata Bagulho também permanecem trabalhando em horário integral em alguns bairros de Aracaju. Estatísticas municipais mostram que diariamente cerca de 800 toneladas de lixo são recolhidas diariamente pela Torre. Ciente do reinício das funções, o Sindicato dos Empregados de Limpeza Pública (Sindelimp) está acompanhando o retorno dos profissionais às ruas a fim de evitar possíveis irregularidades. "Nossa função como sindicato é garantir que nenhum funcionário seja prejudicado com falta de condições de trabalho, ou que estejam com demanda trabalhista acima do sustentável depois de três dias de coleta paralisada por conflito entre a Torre e a prefeitura", afirmou Rayvanderson Fernandes dos Santos, diretor do Sindelimp.
Irregularidade – Já nas primeiras horas de ontem uma comissão sindical identificou que desvios de função estavam sendo praticados pela própria empresa, no intuito de acelerar a coleta de lixo. Diante da ocorrência considerada grave pelo Sindelimp, um dossiê está sendo construído neste final de semana e será protocolado já nesta segunda-feira, 17, no Ministério Público do Trabalho (MPT). A medida tem como principal objetivo inibir que condutas administrativas como estas voltem a ocorrer no Estado de Sergipe. "Se tem pressa para coletar todo o lixo, então que contratem mais trabalhadores em caráter temporário. O que não admitimos é que cortadores de grama e demais serviços de jardinagem estejam indo para as ruas para catar lixo", declarou o diretor.
O material em construção será composto por depoimentos de servidores, fotos e vídeos, além de publicações promovidas pelos meios de comunicação ao longo dos últimos cinco dias. "Não temos nenhuma parcela de culpa nessa suspensão dos serviços, então não podemos pagar uma conta que não é nossa", pontuou Rayvanderson Fernandes. Sobre este caso, a Prefeitura de Aracaju e a direção da Torre não se manifestaram.


