Milton Alves Júnior
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Dois boletins de ocorrência foram protocolados na tarde de ontem contra a coligação ‘Agora Sim’, encabeçada pelo candidato ao Governo de Sergipe, Eduardo Amorim, líder do Partido Socialista Cristão (PSC). Conforme denúncias oficializadas na 8ª Delegacia Metropolitana da Polícia Civil, um grupo de aproximadamente 40 mulheres contratadas para segurar bandeiras do candidato majoritário estaria desde o dia 20 de agosto sem receber a quantia quinzenal orçada em R$ 300. Cansadas de tanta promessa de pagamento para o dia posterior, parte das contratadas decidiu entrar em ‘greve’ por tempo indeterminado e durante depoimento à polícia informou não mais ter interesse em trabalhar para o grupo Amorim. Paralelo à inadimplência salarial, as denunciantes destacam outras irregularidades.
Entre as ex-funcionárias da coligação estão as irmãs Rosângela Silveira dos Santos, mãe de um filho, e Maria Angélica Silveira dos Santos, mãe de cinco filhos. Em entrevista exclusiva concedida ao Jornal do Dia as trabalhadoras informaram que, do valor total acordado através de contrato prévio, exatos R$ 150 mensais seriam descontados para serem investidos em lanches que se resume a um pão e um copo de refrigerante. Além do produto de baixa qualidade nutricional, elas lamentaram a maneira que teriam para ingerir os alimentos. Sem deixar a respectiva bandeira azul no chão, ou encostada em postes, era necessário comer e beber debaixo do sol quente. Há 21 dias sem receber o salário, ambas foram ameaçadas por fiscais de rua.
De acordo com Rosângela Silveira, esta semana durante uma das cobranças realizadas no comitê central, localizado no Bairro Jardins, em Aracaju, algumas ‘bandeirinhas’ ameaçaram denunciar o caso à imprensa sergipana. "Mas eles disseram que os meios de comunicação estão todos apoiando Eduardo Amorim e nossa fala não iria dar em nada. Hoje decidimos acabar de uma vez por todas com isso e antes de ir na delegacia prestar queixa a gente acabou passando nossa situação para vocês. Não queremos nem um real a mais, nem um a menos. Queremos o que é nosso direito", afirmou. A noite da última quarta-feira, 10, foi de muito bate boca e espera no comitê.
Ainda segundo Rosângela, nos últimos 15 dias uma fiscal de prenome Vera estaria anunciando que o dinheiro seria repassado sempre no dia seguinte, mas nestes dias prometidos o grupo chegava a esperar até quatro horas e nenhum recurso financeiro era devidamente atribuído. "Eles sempre dizem que é para voltar no outro dia. Diziam que o dinheiro estava em cheque e que não poderia ser descontado em banco, só lá no comitê. Cansamos de esperar e por isso decidimos denunciar na delegacia", completou. A fim de oficializar o caso em várias instâncias, o fato também foi registrado na Delegacia Plantonista e no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Além de Amorim, outros nomes aparecem nos depoimentos.
Apontado com o mentor das contratações, Luiz Carlos dos Santos, bastante conhecido como o ‘Branca de Neve’, estaria em posse desses cheques e não os liberava para ser descontado. Intrigada, Maria Angélica requisitou o repasse do dinheiro e foi recebida com agressões verbais. Para ela, é preciso que os órgãos competentes e população sergipana sejam informados quanto ao problema. "Eles dizem que tem dinheiro, mas não passa pra gente. Quem aqui não já soube desse atraso? O problema é que muitas precisam mais que nós duas e estão com medo de denunciar, mas se quiser realmente saber se isso que estamos falando é verdade basta falar com qualquer uma que estiver segurando a bandeira de Amorim aí nas ruas", declarou.
No ato do contrato foi informado que os R$ 150 seriam descontados para o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS. "Como é que eles vão descontar para o INSS se a gente nem trabalha de carteira assinada? Depois disseram que era para o lanche que só começou a ser dado uma semana depois. Queremos saber de Branca de Neve quando nosso dinheiro realmente vai sair", pontuou Maria Silveira. Luiz Carlos, além de trabalhar para a coligação de Eduardo Amorim, também é diretor de Espaços Públicos da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), órgão da Prefeitura de Aracaju. Após os relatos, nossa equipe tentou entrevistar Branca de Neve, mas em nenhuma dos contatos obtivemos êxito.
A Assessoria de Comunicação do candidato Eduardo Amorim foi procurada pelo Jornal do Dia, mas até às 20h não repassou nenhuma nota oficial detalhando a situação. Durante a tarde de ontem as denunciantes foram informadas por telefone que iriam receber o valor pleiteado no início da noite de ontem, mas até às 19h50 não havia confirmado o repasse dos direitos trabalhistas. Em virtude desse impasse administrativo, as 40 pessoas prejudicadas ameaçam não participar da caminhada prevista para hoje pela coligação ‘Agora Sim’.


