Gabriel Damásio
A falta de acordo entre a Prefeitura de Aracaju e os sindicatos da área de saúde resultou na confirmação da greve geral das categorias, que deve começar hoje de manhã e promete paralisar a maioria dos serviços da rede municipal de saúde. O movimento estava anunciado desde a quarta-feira passada, mas, de acordo com as entidades, não houve apresentação de propostas para o reajuste salarial anual e outras reivindicações, como a melhoria nas condições de trabalho nas unidades de saúde. Os cerca de 5 mil servidores da área querem reajuste de 12,5%, equivalente às perdas salariais causadas pela inflação do último ano.
Ontem de manhã, profissionais de várias áreas, como agentes comunitários e de endemias, fisioterapeutas, enfermeiros, dentistas, psicólogos, assistentes sociais e técnicos de nível médio, fizeram uma manifestação em frente ao Centro Administrativo da PMA, no Conjunto Castelo Branco (zona oeste). As queixas foram reforçadas com diversas faixas e cartazes contra o prefeito João Alves Filho (DEM), cobrando o reajuste salarial e as outras reivindicações. "João, cadê a solução?", dizia um dos cartazes, referindo-se ao slogan da campanha que elegeu o atual prefeito, em 2012.
O protesto foi para marcar a paralisação de 24 horas da categoria, marcada inicialmente para advertir à PMA sobre a greve de hoje. "Concordamos em paralisar para fazer um grito de advertência contra essa gestão, que não anunciou a recomposição salarial dos trabalhadores da saúde, em detrimento de todos os outros trabalhadores da Prefeitura. Por conta disso e pelas várias tentativas frustradas de diálogo com esta gestão, resolvemos parar e encaminhar o estado de greve", disse a representante do Sindicato das Assistentes Sociais de Sergipe (Sindasse), Márcia Martins, que estima em 22% as perdas salariais acumuladas pelas categorias desde o início da gestão João Alves, em 2013. "O nosso salário real, em média, eram de cinco salários mínimos em nível universitário. Hoje, ele não chega a quatro", explicou ela.
A expectativa é de que apenas os atendimentos de urgência e emergência sejam realizados, pois, assim como já acontece na greve dos médicos, em andamento há mais de duas semanas, efetivos de 30% dos servidores serão mantidos em algumas unidades, principalmente os prontos-socorros Nestor Piva e Fernando Franco. Entre os serviços que estão suspensos ou parcialmente afetados, estão a marcação e realização de consultas e exames médicos, a dispensação de medicamentos controlados, as visitas domiciliares dos agentes de saúde e até as atividades de combate a endemias. "Infelizmente, quando a gente para, a população sente, porque a nossa mão de obra é fundamental, extremamente necessária. O serviço vai sim ser afetado lá na ponta, mas nós precisamos dar uma resposta a essa falta de diálogo", justifica o presidente do Sindicato dos Agentes Comunitários e de Endemias do Município de Aracaju (Sacema), Vinícius Ribeiro.
Na avaliação do presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Área da Saúde de Sergipe (Sintasa), Augusto Couto, a comissão intersindical das categorias tentou todas as alternativas de diálogo com a PMA, mas sem obter uma resposta ou abertura para diálogo. "A Prefeitura alega que não tem recursos, mas não acredito porque Aracaju é uma das cidades que mais tem estabilidade financeira. É tanto que eles não mostram nenhum número. É bom frisar que não estamos lutando nem por um aumento, mas por uma reposição salarial que é um direito do trabalhador", afirma Augusto Couto, acrescentando que outros servidores, como da administração geral, já conseguiram o reajuste salarial.
A comissão que reúne os sindicatos de servidores da saúde da PMA marcou uma assembleia de avaliação do movimento, que acontecerá nesta sexta-feira, às 9h, na sede do Sindicato dos Bancários, no Centro. Em nota, a Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplog) informou que, "diante do quadro atual de crise no país e que tem afetado os municípios, a Prefeitura de Aracaju continua estudando possibilidades baseado no pleito dos servidores da saúde, para que assim, tenha condições de apresentar alguma proposta a categoria".


