COMEÇOU JULHO E COM ELE 2024

* Rômulo Rodrigues

Na Constituição Federal não está escrito que um ano eleitoral começa quando acaba o primeiro semestre do ano que sucede aquele em que teve a eleição anterior.
No Brasil esse fenômeno acontece mesmo sem estar consagrado na lei maior e não pode ser catalogado como crime ou violação da lei.
Vejamos aqui em nosso pequeno torrão Sergipe Del Rey. Em tudo quanto é canto, do maior ao menor município, já acontece o fenômeno eleitoral precipitado e em muitos deles parece nem precisar ter eleição, pois os analistas que falam pelo povo já decidiram quem e quais serão as candidaturas e, quem será eleito e ponto final.
Porém; o grande dramaturgo e escritor irreverente Plinio Marcos costumava enriquecer seus romances com a maravilhosa e anárquica abstração dizendo, ou melhor, escrevendo e, sempre tem um porém.
Pois bem, para todas as sábias previsões chegarem perto da real política, tem um porem chamado de conjuntura.
E essa tal conjuntura atual está muito longe da realidade futura e jamais será uma utopia capaz de fazer os palpiteiros caminharem, mesmo lentos, para se apossarem dos mapas dos tesouros que contenham votos.
Estarão eles certos? Não sei. Só sei que estão palpitando assim. Mas, como tenho como ponto de partida a vasta sabedoria popular caicoense, digo-lhes, é bom, antes, falar de tijolo que é pau que boia.
Não há nem haverá certeza alguma de hoje que sobreviva à conjuntura que virá. Dúvidas dessa certeza? Pois bem, um ponto alto do momento político é sem dúvida a inelegibilidade de Jair Bolsonaro e, mesmo que ainda não esteja consagrada para a eleição de 2030; 2024, 2026 e 2028, já esboça espinhos em abundância nas veredas tropicais de quem pensar em abusar da sorte e tentar vestir a camisa que um dia serviu de manto para identificar a grande estupidez de quem a vestia.
É demasiado previsível que, já em 2024, o País que irá às urnas será um País muito diferente do que o que foi em 2022, e será uma diferença qualitativa.
A qualidade já está na constatação de que o Brasil voltou ao centro do tabuleiro do xadrez da geopolítica mundial e sua voz se faz ouvir e ser respeitada na ONU, G- 7+1, G-20, MERCOSUL e na União Europeia.
No comando do Banco do BRICS, o Brasil já vislumbra acenos de mais de 20 países da Ásia e da África; também do Oriente Médio que podem consolidar um bloco econômico com metade da populaçãoe um terço do Produto Interno Bruto Global.
Com a democracia respirando bem e a economia saindo do trote para o galope, a força determinante que tende a atrair inúmeras partículas partidárias em torno de si é o consolidado programa de desenvolvimento social e sustentável consolidado com o Brasil Voltou.
O próximo mês de janeiro chegará com mais um aumento real do salário mínimo acima da inflação, nova faixa de isenção do IRPF e a percepção real de um universo de mais de 44 milhões de trabalhadores com carteiras assinadas, aposentados e pensionistas sentindo que suas vidas melhoraram.
Com a roda da economia girando para frente, as disputas eleitorais serão muito favoráveis a quem se posicionar pela defesa da democracia e não de quem continuar defendendo o fascismo.
Na disputa majoritária de Aracaju, caixa de ressonância para todo o estado, haverá uma predominância da preferência dos votantes para nomes femininos, em ascensão com as políticas afirmativas do governo federal, como Danielle Garcia, Eliane Aquino, Emília Correia e Katarina Feitosa, com pouca indicação, até o momento, para nomes masculinos.
No momento, numa conjuntura que ainda está muito aquém em indicadores que encantem o eleitor, nada está definido para o pleito de 2024.
O fato político mais destacado que é a inelegibilidade de Jair Bolsonaro a indicar que significativas parcelas esclarecidas do eleitorado está se afastando do fanatismo bolsonarista, bem notada pela total ausência de manifestação como reação presencial em atos contra a goleada de 5×2 do TSE, ficando toda a reação restrita ao velho expediente das redes sociais.
A caminhada que já começou de agora até a próxima eleição já se movimenta com as organizações das brigadas de combatentes formadas pelas chapas proporcionais.
Aracaju terá uma disputa singular onde provavelmente 300 concorrentes às vagas de vereadores e vereadoras estarão querendo seu quinhão nos 300 mil votos válidos num cenário cuja linha de corte vai ficar em 1 mil votos.
No momento, olhando pela janela que projeta o futuro e contemplando o horizonte onde se hospeda o voto, dá para ver que o PSD, Federação PT, P C do B, PV; Federação PSOL, Rede; e, se acontecer a Federação PDT, PSB, estarão mais preparados para a maratona. Quem puder mais, chorará menos.

* Rômulo Rodrigues, dirigente sindical aposentado, é militante político

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