Milton Alves Júnior
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Flanelinhas e comerciantes que atuam nos mercados centrais se uniram na manhã de ontem a fim de ampliar a pressão contra a Prefeitura de Aracaju. Pela quarta vez só nesta semana, os manifestantes protestam contra a implantação do sistema ‘Rotativo Aju’ que desde a última segunda-feira, 14, tem administrado todas as vagas de estacionamento disponíveis no Centro aracajuano. Durante o ato realizado nas intermediações do Mercado Albano Franco os manifestantes dialogaram com os pedestres e motoristas com o propósito de explicar o motivo do protesto. Na sequência, o grupo seguiu em caminhada até a frente da Câmara Municipal de Aracaju (CMA) onde tentaram, mais uma vez, sensibilizar os vereadores para que possam convencer o prefeito João Alves Filho a suspender o sistema.
Paralelo ao pleito dos flanelinhas, os comerciantes que agora se unem à causa garantem que o retorno dos antigos parquímetros contribui para prejuízos financeiros a dezenas de famílias dependentes do mercado de frutas e hortaliças para se manter. O receio é que os consumidores, devido ao preço cobrado pela prefeitura para estacionamento, migrem para a Central de Abastecimento de Aracaju (Ceasa), que não cobra tarifa para uso do solo. A Prefeitura de Aracaju já informou, através da Superintendência Municipal de Trânsito (SMTT), que não vai atender a reivindicação dos manifestantes.
"Se é confusão que o prefeito quer, então é confusão que nós teremos. O que a gente acha interessante é que para pedir o nosso voto João Alves soube vir aqui no centro pedir a nossa ajuda, e a ajuda dos flanelinhas, para se eleger. Depois que ele conseguiu só aparece nessa área quando tem o Forró Caju e pronto. Nunca nesses três anos o prefeito veio aqui para conversar com a gente e apresentar propostas. Agora é o que ele manda e acabou. Por isso os atos vão continuar", afirmou o vendedor Antony Lopes. Para dar sequência às reivindicações, outro ato público deve ser promovido na manhã de hoje, e durante este sábado das 6h30 às 12h30, período da semana com maior fluxo de comerciantes e consumidores na localidade.
Em contraponto, o diretor de trânsito da SMTT, José Carlos Cruz, informou que a administração municipal está preocupada com a situação. Ao visitar a área central na manhã de ontem o gestor garantiu que a prefeitura não tem interesse em tirar o flanelinha do trabalho e nem criar um problema social, mas implantar um sistema legal, já que o espaço público é administrado pela prefeitura. José Carlos destacou ainda que no momento não existe perspectiva de suspender o Rotativo Aju, mas que objetiva "flexibilizar o estacionamento a fim de evitar que pessoas se comportem como donos da vaga", afirmou.
Sobre as críticas que surgiram nas redes sociais quanto à qualidade do serviço prestado pelos flanelinhas, eles criticaram a forma como alguns aracajuanos têm avaliado o movimento e garantem possuir especialidade no seguimento. Entre estes trabalhadores que lamentam a postura ideológica de parte da sociedade está Samuel Mattos dos Santos. Aos 33 anos de idade, ele garante que já passou por cursos profissionalizantes desenvolvidos pelo poder municipal. "Eu não sou analfabeto. Estudei, mas a vida não me proporcionou possibilidades para ter uma profissão melhor. Sou flanelinha com honestidade e sei tratar bem os clientes. Quando Marcelo Déda era prefeito fazia curso pra educar a gente. Antes a gente tinha o apoio do prefeito, hoje temos o desprezo", disse.
Durante a mobilização foi informado que uma reunião estaria agendada para ocorrer no período da tarde entre os feirantes e a Prefeitura de Aracaju na sede da SMTT. Através da assessoria de imprensa o órgão destacou que o diálogo não foi promovido. Segundo o assessor Flávio Vasconcelos, não havia agendamento de reunião conforme apresentado pelos manifestantes. "Talvez tenha ocorrido uma troca de locais onde seria realizada a reunião. Queremos destacar que essa semana o sistema foi gratuito, mas a taxa começa a ser cobrada a partir da próxima segunda-feira. Não é preciso expor nenhum bilhete como era feito na época do parquímetro. Agora, a placa do carro fica cadastrada no sistema. O papel nos stands de venda são apenas recibos", informou.

