Comerciantes pedem vistoria nas marquises de prédios em Aracaju

Milton Alves Júnior

 

A falta de manutenção em telhados e marquises de estabelecimentos comerciais fechados no centro de Aracaju tem chamado a atenção de consumidores e órgãos estaduais de fiscalização. Paralelo ao cenário de abandono proporcionado ao centro comercial, o risco visível de desmoronamento gera aos pedestres, em especial aos vendedores da localidade, um receio de colapso da estrutura e acidente envolvendo os transeuntes. Para evitar fatalidades, os comerciantes pedem que o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de Sergipe (CREA/SE), inclua na lista de perícias, todas as lojas, abertas, ou não, que apresentem algum indício de vulnerabilidade.

O pedido se baseia na rotina de fiscalizações promovidas pelo órgão desde o semestre passado quando peritos analisam a estrutura física de prédios públicos e particulares com sinais de abandono. Assim ocorreu no mês passado com as instalações do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e do antigo Hotel Pálace, todos situados na região central de Aracaju. Se mostrando preocupado com a situação estrutural destes imóveis, o presidente do Crea/SE, engenheiro Arício Resende Silva, a rotina de estudos de campo segue sendo respeitada com o propósito único de identificar problemas e evitar tragédias, assim como ocorreu em 19 de julho de 2014, quando um prédio de quatro andares desmoronou no bairro Coroa do Meio.

"Na nossa concepção, todas as pessoas e departamentos públicos deveriam se preocupar com este tipo de situação. Se existe risco de queda, ou colapso seja lá do que for, é necessário que se busquei alternativas imediatas a fim de evitar que o medo se transforme em realidade. Nós do Crea estamos cumprindo com as nossos deveres, falta agora que as demandas de outros setores também sejam cumpridas. Todas as denúncias que chegam ao Crea são analisados com o máximo de primor e ética profissional", disse. Além do Crea, os comerciantes pedem o apoio do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e Ministério Público Estadual.

Questionado quanto a unificação das ações entre os órgãos, o engenheiro ressaltou que este tipo de serviço apenas tende a gerar benefícios reais a partir de denúncias oficializadas pelos próprios contribuintes. Para ele, a participação popular é o primeiro passo a ser dado no combate a situações de pânico e danos físicos a todos que transitam pela região de risco. "Quando os proprietários destes imóveis não se mostram preocupados com a probabilidade de acidentes, a sociedade passa a se tornar a principal peça para que possamos minimizar os impactos. Por isso pedimos mais uma vez que as pessoas continuem denunciando estas e tantas outras situações que, algumas vezes, fogem do olhar criterioso dos peritos", pontuou o presidente.

 

Invisível – Ao Jornal do Dia, a gerente de loja Carmen Bezerra, informou que os revestimentos de PVC e placas publicitárias acabam escondendo a fragilidade das marquises. Trata-se de uma denúncia considerada antiga pelos lojistas, mas que segue causando preocupações aos trabalhadores. "O problema disso tudo é que muitas vezes o risco passa desapercebido em virtude de a estrutura estar escondida entre as fachadas. Algumas lojas – poucas, realizam vistorias semestrais; outras – muitas, só fazem algo quando precisam renovar a lona da loja e se deparam com o problema", declarou.

A preocupação por parte do Crea e dos lojistas tem como base o histórico registrado na capital sergipana. No dia 03 de maio de 2013, por exemplo, uma idosa de 70 anos ficou ferida após ser atingida por uma marquise e parte da fachada de uma loja localizada na Avenida Mariano Salmeron, bairro Siqueira Campos. Já no dia 26 de julho de 2010, uma vítima, identificada como Vanuza Silva dos Santos, morreu após ser atingida por uma marquise que caiu sobre ela enquanto ela caminhava no calçadão da Avenida João Pessoa no Centro da cidade.

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