Milton Alves Júnior
A presença de famílias sem teto no cruza-mento entre as ruas São Cristóvão com Capela, em Aracaju, continua gerando prejuízos para dezenas de lojistas que sentem-se impossibilitados de abrir o respectivo ponto comercial. Durante reunião realizada no final da tarde de ontem na sede da Associação Comercial e Empresarial de Sergipe (ACESSE), foi confirmado que em decorrência da ocupação das vias e calçadas por mais de 120 pessoas, o faturamento de alguns estabelecimentos da região já alcançam a casa dos 70%. Nas primeiras horas de ontem a Prefeitura de Aracaju informou que, através da Secretaria Municipal de Apoio à Família e Assistência Social (Semfas), irá conceder o tão desejado auxílio moradia até a próxima quinta-feira, 30.
Apesar da garantia apresentada pela administração municipal, os sem teto garantem que só devem deixar o espaço público quando a verba for devidamente repassada para todas as famílias, ou seja, como a previsão da prefeitura é repassar a quantia apenas na semana que vem, a tendência é que estes moradores oriundos do antigo Hotel Aperipê continuem gerando impasses e prejuízos por mais sete dias a contar de hoje. Segundo o presidente da Acesse, Wlademir Torres, alguns avanços nas conversas já foram conquistados, mas é preciso que um galpão, escola ou ginásio seja concedido para acomodar estas famílias, pelo menos até o dia 30. O apelo tem sido feito também para o Governo de Sergipe.
"Em reais não sabemos te dizer quanto os comerciantes daquela área acabaram perdendo, mas em termos de porcentagem esse prejuízo chega a pelo menos 70%. No início dessa ocupação a prefeitura disse que apenas poderia repassar o auxílio moradia depois que cada família apresentasse um comprovante de aluguel de imóvel, acompanhado do comprovante de pagamento de água e energia. Essa exigência já foi eliminada para este caso, mas o setor comercial não pode esperar até o dia 30", disse.
No que se refere à qualidade de vida, se é que existe para aquelas famílias, a chuva registrada na tarde e noite de ontem só contribuiu para agravar ainda mais as dificuldades enfrentadas pelos populares. Lonas de plástico e pedaços de madeira foram utilizados para tentar minimizar o efeito da natureza.
Sem condições financeiras para alugar um novo lar, ou galpão para se acomodar enquanto não encontram alternativas emergenciais para a calamidade vivenciada, as dezenas de pessoas, entre elas criança recém-nascidas, deficientes e idosos, tentam garantir a sobrevivência através de doações feitas por comunidades religiosas que na noite de ontem voltaram a se solidarizar com a falta de Direitos Humanos para os sem teto. "Não estamos apenas preocupado com o movimento econômico, mas sim, com todo o contexto. É preciso que a prefeitura agilize esse pagamento e o governo do Estado conceda um galpão para abrigá-los por uma semana apenas. Estamos reunidos mais uma vez para buscar possíveis soluções para o caso", pontuou Wlademir.
Acompanhando a presidência da Acesse também estiveram representantes da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), associação de comerciantes da rua São Cristóvão e associação dos comerciantes da rua Capela. Segundo Breno Barreto, novo presidente da CDL, em conversa com as famílias ficou evidente que ninguém está disposto a deixar o lugar enquanto a Semfas não cumprir com o que foi prometido. Perguntado sobre os problemas gerados pelo movimento social de garantia a casa popular para as famílias de baixa renda, o presidente fez uma rápida análise da atual situação financeira do Brasil.
Para ele, a única medida inteligente a ser adotada no momento é conseguir um espaço provisório. "É evidente que não estamos enfrentando um momento agradável por nossa economia e essa ocupação registrada desde o último domingo evidentemente tem afastado clientes que poderiam movimentar as finanças de um dos 20 estabelecimentos diretamente próximos ao local ocupado. Precisamos que a prefeitura repasse esse auxílio moradia e disponha de algum ambiente amplo e de segurança para todos. Nosso sentimento também fala alto nessa hora e não admitimos ver tantas crianças e idosos no relento. Por isso pedimos a compreensão do prefeito e do governador", afirmou. Ao todo, 60 famílias pleiteavam o auxílio e ocupavam a via. 12 delas conseguiram se aconchegar em casas de parentes enquanto aguardam com expectativa o próximo dia 30.


