Uma comissão de integrantes da Justiça Federal de Sergipe (JFSE), do Ministério Público Federal (MPF/SE) e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) realizou ontem uma vistoria em cinco delegacias de polícia e unidades especializadas da Polícia Civil em Aracaju. A iniciativa faz parte de uma ação judicial movida em outubro do ano passado pela seccional estadual da Ordem, na qual foi pedida a interdição de todas as delegacias do Estado, alegando o risco de rebeliões e fugas causadas pela falta de condições para manter os detentos custodiados nas carceragens das unidades. O secretário da Segurança Pública, Mendonça Prado, e membros da Delegacia Geral de Polícia acompanharam as visitas.
Uma das unidades visitadas foi o Complexo de Operações Policiais Especiais (Cope), no Capucho (zona oeste), onde 12 presos considerados perigosos estão detidos em duas celas de seis metros quadrados. Segundo o diretor do Cope, Jonathas Evangelista, o espaço é pequeno, mas considerado seguro, e os presos recebem três refeições diárias, fornecidas pelo estado. Durante a visita, os detentos conversaram diretamente com os integrantes da comissão, entre os quais estavam o juiz Edmilson Pimenta, da 3ª Vara Federal de Sergipe, e o procurador da República Ramiro Rockembach.
Alguns problemas foram detectados nas visitas, como a falta de manutenção e higiene das celas, a limitação dos banhos-de-sol e a demora na tramitação dos processos contra boa parte dos presos provisórios. No entanto, foi constatada uma leve diminuição no número de custodiados, já que boa parte deles foi transferida para as penitenciárias. "O preso sempre deve ser encaminhado para o sistema prisional. Os presos que permanecem em delegacias são aqueles que ainda devem ser ouvidos pelos delegados, num número pequeno. Em uma realidade anterior, onde era possível encontrar de 70 a 80 presos em uma delegacia, hoje nós temos entre 15 a 20, posto que são imediatamente encaminhados ao sistema prisional", explica Mendonça.
As visitas continuam hoje, em unidades de Polícia Civil localizadas no interior do Estado. O processo movido pela OAB tramita no âmbito da JFSE e ainda não tem prazo para ser julgada.


