Gabriel Damásio
O ex-presidiário Rosemberg José Guilherme Marques, o ‘Berguinho’, 47 anos, foi assassinado por volta das 15h de ontem, em frente a um consultório odontológico na Rua Lagarto, centro da capital. Ele foi atingido por pelo menos dois tiros e morreu na ante-sala da clínica, antes da chegada do socorro médico. ‘Berguinho’ era apontado como um dos envolvidos no crime contra o então deputado estadual Joaldo Barbosa, o ‘Nego da Farmácia’, morto a tiros em janeiro de 2003, e foi condenado a cumprir uma pena de 19 anos e seis meses de prisão, mas progrediu de regime e estava em liberdade condicional desde o dia 28 de abril, sendo monitorado por uma tornozeleira eletrônica.
Segundo testemunhas, Rosemberg tinha acabado de chegar à clínica em uma caminhonete e esperava atendimento na ante-sala quando recebeu o telefonema de uma pessoa que o pedia para ir até a porta do consultório. Ao sair para a rua, ele foi surpreendido pelos ocupantes de um carro Renault Logan de cor escura que estava parado em frente ao local. De lá, um homem disparou quatro tiros na direção do ex-detento. Enquanto os matadores fugiam, a vítima corria até o sofá da clínica, onde sentou para pedir ajuda. No entanto, ele já estava baleado nas costas e morreu antes da chegada de uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Marques morreu com dois tiros nas costas.
Ao tempo que os socorristas constatavam sua morte, equipes das polícias Militar e Civil chegavam à Rua Lagarto para isolar o local do crime e levantar as primeiras informações. Inicialmente, informou-se que o homem assassinado seria um advogado, pois ele vestia um terno completo e, além da tornozeleira, usava na lapela um broche com o emblema da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A seccional sergipana da OAB nega que Rosemberg seja advogado, pois não há nenhum registro com o nome dele em seus quadros. O JORNAL DO DIA apurou que, nos últimos dias, um grupo de advogados investigava a suspeita de que o ex-detento vinha se apresentando como profissional da área e até se oferecendo para prestar serviços, mas ainda não tinham sido levantadas provas fortes e suficientes para denunciá-lo formalmente à própria OAB pelo crime de exercício ilegal da profissão.
A Polícia Civil também investigava essa suspeita e acredita que ele se passava por advogado para aplicar golpes na população. O porta-voz da Secretaria da Segurança Pública (SSP), Lucas Rosário, confirmou que ‘Berguinho’ já tinha sido condenado judicialmente por outros crimes de estelionato e falsidade ideológica cometidos desde 1997, além da condenação pelo Caso Joaldo Barbosa e de ser investigado no caso da Chacina de Itaporanga, em outubro de 2009, quando quatro homens foram assassinados em uma fazenda no povoado Minante, em Itaporanga D’Ajuda. “Infelizmente, era uma pessoa que tinha um histórico criminal, era bastante conhecida das nossas polícias”, resumiu.
O corpo de Rosemberg foi recolhido ao final da tarde pelo Instituto Médico Legal (IML). O crime será investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), cuja equipe liderada pelo delegado Kássio Viana levantou algumas pistas. Lucas preferiu não adiantar detalhes, mas assegurou que algumas informações recolhidas até o momento já permitiram um avanço rápido nas investigações e uma alta possibilidade de que os assassinos sejam presos nos próximos dias.
Rosemberg foi julgado e condenado em junho de 2005 pela morte de Joaldo Barbosa, que era conhecido como ‘Nego da Farmácia’. As investigações da Polícia Civil na época apontaram ‘Berguinho’ como o responsável pela intermediação entre o executor, Dorgival Luciano dos Santos, o ‘Compadre’ (assassinado em fevereiro de 2016), e os dois acusados de serem mandantes do crime: o agiota Floro Calheiros Barbosa (morto pela polícia da Bahia em abril de 2011) e o então suplente de deputado Antônio Francisco Garcez (que morreu de causas naturais, em 2010).


