Gabriel Damásio
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A Corregedoria de Polícia Civil (Corregepol) vai investigar a fuga do músico Rubens Rodrigues da Silva, 48 anos, que estava preso na 2ª Delegacia Metropolitana (2ª DM), na rua Divina Pastora, bairro Getúlio Vargas (zona central de Aracaju). Por volta das 7h de ontem, ele escalou o telhado da unidade e pulou por uma área nos fundos do CAIC Neuzice Barreto, que também fica atrás da delegacia. A fuga foi vista por vizinhos que chamaram a polícia e aproveitaram para reclamar da insegurança causada pela superlotação da carceragem da delegacia – atualmente, ela abriga 73 presos, mas só tem capacidade para 15.
Segundo os relatos, alguns ruídos chegaram a ser ouvidos nas casas contíguas à delegacia e um dos vizinhos, ao olhar para fora, chegou a perguntar a Rubens o que ele estava fazendo em cima do telhado. O preso se fez passar por um pedreiro e disse que estava executando um conserto. Depois de despistar o vizinho, ele saltou para o terreno nos fundos do prédio. Depois que o alerta foi dado, equipes da Polícia Militar e do Grupo Especial de Repressão e Buscas (Gerb) fizeram buscas durante toda a manhã em toda a região do entorno da delegacia e de bairros vizinhos. No entanto, o preso não foi encontrado até o fechamento desta edição.
O delegado titular da 2ª DM, Luciano Dias Cardoso, confirmou ao JORNAL DO DIA que o músico escalou o telhado pela área do banho de sol, que estava em reformas desde segunda-feira. No entanto, ele questiona como o preso teve acesso ao pátio, mesmo sem estar autorizado naquele momento. "A área estava danificada há dois meses, com quatro vigas quebradas. O conserto que tínhamos pedido começou a ser feito ontem [segunda] e terminou hoje [ontem]. Até aqui, e por causa disso, eu só permito liberar o banho de sol com o apoio do Gerb. Não tinha como aquele preso estar no pátio às 7h da manhã, sozinho. E eu deixei ele no xadrez. O chefe de custódia trancou ele no xadrez ontem [segunda] à noite e isso foi visto por várias testemunhas", disse ele.
Ao ser perguntado sobre como Rubens teve acesso ao pátio, Cardoso disse que esta questão está sendo apurada diretamente pela Corregepol. "Eu entreguei isso à Superintendência [da Polícia Civil] e à Corregedoria, porque é difícil afirmar se houve negligência de alguém, se facilitaram ou se houve falha. Foram ouvidos os vizinhos, o chefe de custódia, os agentes de plantão… Mas a Corregedoria é quem vai dizer as circunstâncias dessa fuga, como ele foi parar ali e se alguém deixou ele no banho [pátio]", informou o delegado, ao assegurar que "se alguém cometeu alguma prática criminosa nessa fuga, ele vai ser punido".
Condenado – Único detento a fugir ontem da 2ª DM, Rubens era acusado por crimes de estupro e atentado violento ao pudor. Ele foi preso no dia 3 de setembro de 2012 em sua casa, no centro da capital, pelo Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV), em cumprimento a mandado expedido pela 11ª Vara Criminal de Aracaju. Na época, a polícia o investigou pela denúncia de abuso sexual cometido contra quatro meninas que tinham entre 10 e 15 anos de idade, as quais eram obrigadas a fazer sexo com em troca de dinheiro e presentes.
O JORNAL DO DIA consultou o sistema eletrônico do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE) e verificou que o músico foi condenado por esse processo, que correu em segredo de justiça no Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, da Comarca de Aracaju. A sentença saiu em 8 de setembro deste ano e baseou-se nos artigos 217-A (estupro de vulnerável menor de 14 anos) e 71 (praticar dois ou mais crimes subsequentes) do Código Penal. Outros dois réus foram condenados no mesmo processo, incluindo o policial militar Luís Francisco dos Santos, 36, também preso no mesmo dia pelo DAGV – e cujo advogado já recorreu da sentença em segunda instância.
O delegado Luciano Cardoso confirmou que a pena contra o músico foi de 27 anos de prisão – e que ele foi notificado da decisão na semana passada. "Quando o oficial de justiça chegou na delegacia, ele não quis sair do xadrez pra assinar a sentença. Se recusou a assinar. Talvez ele tenha ficado inconformado com a pena que ele pegou e fez essa besteira de fugir", relatou Cardoso, ao afirmar que Rubens tinha bom comportamento e "não era considerado um preso perigoso". Já sobre a informação de que quanto tempo ele estava na 2ª DM, Cardoso disse não saber, pois assumiu o comando da delegacia há apenas quatro meses.


