Consumidores ainda reclamam

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Consumidores que buscam realizar as compras de final de semana no mercado central de Aracaju estão se deparando com preços cada vez mais salgados em itens antes considerados de baixo valor comercial. Aparecendo como vilã da cesta básica formada por hortaliças, o quilo da cebola branca ou roxa é comercializado no Mercado Albano Franco em média por R$ 3,50. Se comparado com o mês de fevereiro do ano passado, o aumento foi de quase 80%; em agosto de 2015 o mesmo quilo do produto alimentício era comercializado em média por R$ 2,10. Para muitos consumidores, paralelo à cebola, outros alimentos deste seguimento nutricional acabaram se tornando artigo de luxo gastronômico neste início de 2016.

Para a funcionária pública Marta Lisboa, apesar do aumento do preço da cebola, outros alimentos deram início a um processo de desvalorização comercial e isso tem colaborado para que o preço final da feira realizada não resulte em amplo aumento dos gastos. Hoje com 42 anos de vida, sendo 30 deles de presença cativa em mercados e feiras livres, a consumidora garante que todos os anos a venda de frutas e legumes apresenta situações que despertam a atenção do brasileiro. "Nós vivemos em uma balança. Enquanto no ano passado a cebola estava com o preço lá embaixo, o tomate era quem estava caríssimo e a gente evitava comprá-lo. O problema atual é que, nem sempre o tomate é usado para preparar refeições, já a cebola não. Ao menos eu uso em tudo que é comida e realmente está sendo difícil, mas essa fase vai passar", avaliou.

Baseando-se na indagação feita por Marta, é possível garantir que o gasto final permanece semelhante aos seis últimos meses de 2015. O preço do tomate, que ao longo dos últimos dias chegou a custar até R$ 8 em alguns supermercados de Aracaju, por exemplo, na manhã de ontem era possível encontrar por até R$ 2 o quilo. Ciente que a prática da pechincha é uma das maneiras mais adequadas para evitar gastos acima do previsto, a consumidora Elsa Angélica disse buscar comprar produtos sempre a um mesmo fornecedor devido a relação cordial que foi conquistada ao longo dos anos. Ela garante que na maioria das vezes fugir dos preços altos é difícil, mas nada impede que bonificações agradem a ambas as partes.

"Eu sei que quanto mais barato, melhor, mas também temos que ter a consciência que não podemos abusar muito porque senão o feirante lucra e isso não é bom. Temos que pensar no próximo também. O que acontece nesses casos é, por exemplo, eu comprar um quilo de um determinado produto e minha fornecedora me dar um quilo e cem. Isso ajuda a fortalecer a fidelidade entre cliente e vendedor", afirmou. Dando sequência aos preços de vegetais apresentados em média na manhã de ontem, o pimentão saía a três unidades por R$ 1 – uma redução de até 80% se comparado ao final de semana passado; o quilo da batata continua sendo repassado por R$ 2; o quilo da cenoura é vendido em média por R$ 2,20; e o molho de coentro fresco é repassado por até R$ 0,80.

Ciente da valorização financeira de alguns alimentos, a vendedora Maria de Fátima confirmou o aumento abusivo no setor de legumes, mas garantiu que o Mercado Albano Franco e a Central de Abastecimento de Aracaju (Ceasa), são os dois únicos locais da capital sergipana que ainda conseguem repassar os produtos com preços semelhantes aos do interior do estado. Ela explica o motivo: "muitos que trabalham aqui, e esse é o meu caso, moram no interior e de lá mesmo trazem os alimentos. Então o preço não sobe tanto, mas outros, no caso da cebola que pouco é produzida em Sergipe, não têm como combater a inflação e temos que passar o aumento para o cliente também".
Neste domingo, 21, o Mercado Albano Franco fica aberto das 7h às 12h. Amanhã o local é fechado para higienização e só será reaberto as 7h da próxima terça-feira, 23, quando segue em funcionamento até as 17h.

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