Valmir tem um apelo eleitoral forte, vindo do interior, o que nunca ocorreu numa eleição estadual. A sua vida política é toda centrada em Itabaiana e na região Agreste, além do apoio da prefeita Emília Corrêa
Com o lançamento oficial da candidatura de Valmir de Francisquinho (Republicanos) ao governo do estado, nesta segunda-feira (20), está dada a largada para as eleições estaduais. A ex-superintendente do Sebrae, Priscila Felizola (Republicanos), filha do ex-governador Belivaldo Chagas) também será confirmada como candidata a vice.
O rompimento de Belivaldo com o governador Fábio Mitidieri (PSD), que disputará a reeleição, foi um dos fatos mais marcantes da política sergipana nos últimos anos. Assim como as adesões do senador Rogério Carvalho e do PT para o bloco governista.
Em 2022, a justiça cassou a candidatura de Valmir por ter sido condenado em primeira instância por supostas irregularidades em sua gestão anterior como prefeito. Em 2024, a mesma justiça permitiu a sua candidatura a prefeito, com a justificativa de que o processo não havia transitado em julgado.
Como essa situação ainda persiste e o caso ainda tramita no Tribunal de Justiça do Estado, presume-se que não haveria tempo hábil para impedir a sua candidatura, porque mesmo com uma condenação no TJ, poderia recorrer aos tribunais superiores. Aliás, em decisão proferida em 30 de janeiro de 2026, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu efeito suspensivo à condenação por improbidade administrativa de Valmir. Ele havia perdido os direitos políticos, após a Justiça rejeitar acordo dele com o Ministério Público Estadual. A medida, assinada pelo ministro Luis Felipe Salomão durante o regime de plantão, afastou temporariamente a suspensão de seus direitos políticos.
Mesmo com a aliança com Rogério Carvalho e a força da candidatura à reeleição do presidente Lula, Mitidieri sabe que não terá vida fácil na tentativa de reeleição. E qual a razão de Francisquinho assustar tanto a Fábio Mitidieri quanto aos seus aliados? Logo depois da realização do primeiro turno em 2022, a justiça eleitoral informou que o ex-prefeito de Itabaiana obteve 457.922 votos, o equivalente a 37,6% e estaria no segundo turno ao lado de Rogério Carvalho, que nessa situação possuiria 27,8%. Fábio Mitidieri, por sua vez, ficaria com 24,2% e estaria fora do segundo turno.
Na época, o então governador Belivaldo Chagas colocou a máquina para funcionar em favor do Mitidieri. No pequeno período do primeiro para o segundo turno, Belivaldo concedeu auxílios a população carente, mobilizou servidores públicos, empresários, espalhou canteiros de obras por todo o estado e conseguiu uma virada improvável: Mitidieri foi eleito governador do estado de Sergipe, com 623.581 votos (51,70% dos votos válidos), enquanto Rogério Carvalho, recebeu 582.940 (48,30% dos votos).
Como faz um governo fraco e com baixa aprovação da população, a equipe de Mitidieri vai trabalhar para que a justiça eleitoral volte a impugnar a candidatura de Valmir. Para isso terá o apoio do Ministério Público Eleitoral que também deverá atuar nesse sentido. O risco de o tapetão não funcionar, no entanto, é grande.
Valmir tem um apelo eleitoral forte, vindo do interior, o que nunca ocorreu numa eleição estadual. Dos últimos governadores, João Alves Filho foi o único nascido em Aracaju, mas Marcelo Déda, Jackson Barreto, Belivaldo Chagas e até Mitidieri nasceram em municípios do interior, mas sempre fizeram política a partir da capital. A sua vida política é toda centrada em Itabaiana e na região Agreste, além do apoio da prefeita da capital, Emília Corrêa.
A disputa eleitoral está apenas começando, e não dá para fazer um prognostico com tanta antecedência.
Aquarela sobre papel do artista Bené SantanaOrçamentos aprovados
Os deputados estaduais aprovaram, quinta-feira (16), o Projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2027. O documento prevê uma receita total para o estado de R$ 21 bilhões. Também está estimada uma Receita Corrente Líquida (RCL) de R$ 18 bilhões.
A LDO aprovada pela Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) ajusta as ações do governo com base no orçamento previsto. A partir de agora, o texto, servirá como base para a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA), que definirá o valor e destinação dos recursos estaduais no próximo ano.
A Câmara Municipal de Aracaju também aprovou, na quinta-feira (16), o Projeto de Lei da LDO no valor de R$ 4 bilhões para o exercício de 2027. O texto, de autoria do Executivo municipal, foi votado após a análise das emendas apresentadas pelos vereadores e segue para sanção da prefeita Emília Corrêa.
Os poderes legislativo estadual e municipal entraram em recesso e agora só voltam a funcionar em quatro de agosto.
Totens superfaturados
O delegado André David, ex-secretário de Segurança Pública de Aracaju, é alvo de uma nova denúncia. Após ser investigado pelo Ministério Público por contratar um veículo blindado sem licitação para a prefeita Emília Corrêa – em um processo com indícios de triangulação que beneficiou um candidato a prefeito do seu próprio partido -, a então gestão dele enfrenta agora questionamentos sobre o aluguel de totens de vigilância.
A denúncia foi apresentada pelo especialista em licitações Hugo Oliveira, durante o programa do radialista George Magalhães na terça-feira (14). Segundo Hugo, o contrato dos totens de segurança apresenta indícios de superfaturamento de quase 50%, gerando um custo adicional de aproximadamente R$ 1,4 milhão aos cofres públicos. Seguramente, não é pouco dinheiro.
O especialista aponta que a fraude teria ocorrido na elaboração do edital, que exigiu a contratação exclusiva da empresa Helper Tecnologia de Segurança. A justificativa oficial foi a de que a empresa detinha a patente do equipamento, inviabilizando a concorrência.
Hugo, no entanto, desmentiu essa alegação com dois exemplos práticos: em Pernambuco, uma licitação semelhante contou com a participação de 17 empresas; e em Maceió, duas empresas distintas forneciam o mesmo serviço de aluguel de totens. Além disso, o suposto pedido de patente da Helper junto ao INPI – BR102013011905-9 – foi, na verdade, rejeitado pelo órgão, derrubando o argumento de exclusividade. (Com JL Política)
Propaganda de bets
A prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (Republicanos), decidiu proibir propagandas das plataformas de apostas esportivas, as chamadas bets, nos espaços públicos da cidade. Ela justifica a medida argumentando que o uso compulsivo desse tipo de jogo pode gerar consequências sérias, como endividamento, problemas de saúde mental e conflitos familiares.
“Não estamos proibindo ninguém de fazer suas apostas, pois o cidadão é livre. O que estamos dizendo é que o poder público não pode ser agente de incentivo a uma atividade que tem provocado tantos impactos sociais”, explicou. Em julho de 2025, Emília já havia vetado o Projeto de Lei aprovado pela Câmara de Vereadores criando a Loterias no Município de Aracaju (Lotaju), na verdade, uma plataforma de apostas.
Assédio eleitoral
O Ministério Público do Trabalho em Sergipe (MPT-SE) e o Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe (TRE-SE) atuarão novamente em parceria para o combate ao assédio eleitoral. Na sexta-feira (17), a vice-procuradora-chefa do MPT-SE, Clarisse Farias Malta, se reuniu com a desembargadora presidente do TRE-SE, Ana Lúcia Freire de Almeida dos Anjos, para discutir ações conjuntas de combate e enfrentamento ao assédio eleitoral. “O assédio eleitoral não é apenas um ilícito trabalhista; ele viola a dignidade da pessoa humana, a cidadania e a democracia que também devem ser garantidas no ambiente de trabalho. A parceria com o Tribunal Regional Eleitoral fortalece o compromisso das instituições por um processo eleitoral que seja legítimo e que garanta os direitos fundamentais de todos os cidadãos”, destacou a procuradora Clarisse Farias Malta, coordenadora regional de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho (Coordigualdade).
Também participaram da reunião o diretor-geral do TRE-SE, Rubens Lisboa, e a assessora da Escola Judiciária Eleitoral, Lídia Matos.
Em 2024, o MPT-SE e o TRE-SE apresentaram à sociedade o Pacto contra Assédio, Discriminação e Trabalho Infantil nas Eleições, que contou com o apoio de diversas instituições. Para este ano, os órgãos já planejam o lançamento de um novo Pacto, com o objetivo de conscientizar a sociedade e garantir o voto livre e respeito à democracia. “O MPT-SE e o TRE-SE unem esforços para que Sergipe tenha uma eleição livre, justa, em que a concorrência entre os candidatos e candidatas seja leal, com foco na liberdade de escolha do trabalhador”, afirmou a assessora Lídia Matos.
O assédio eleitoral é caracterizado em caso de qualquer conduta abusiva (ameaças, humilhações ou promessa de vantagens) do empregador para coagir o trabalhador a votar em determinado candidato ou partido. Este ano, em todo o país, o MPT já recebeu 74 denúncias de assédio eleitoral e dois casos estão sendo investigados em Sergipe.
Combate à desinformação
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, assinou na quinta-feira (16) memorandos de entendimento com as principais plataformas digitais operantes no Brasil para intensificar o combate à disseminação de conteúdos falsos, manipulados e descontextualizados durante o processo eleitoral. A cerimônia de assinatura, realizada na sede da Corte, em Brasília, formaliza a renovação e a ampliação das parcerias no âmbito do Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação da Justiça Eleitoral.
O objetivo central das parcerias é intensificar a cooperação técnica para prevenir e combater narrativas falsas que ataquem a integridade das urnas eletrônicas, o sistema de votação e a legitimidade das Eleições Gerais de 2026.
Durante a cerimônia, o ministro Kassio Nunes Marques alertou que as Eleições 2026 serão marcadas pelo maior nível de digitalização da história do país. Diante de um ecossistema de comunicação hiperconectado, que consolidou o ambiente digital como o principal palco do debate público, o presidente do TSE destacou a urgência de se aperfeiçoar os mecanismos de controle do fluxo informacional, com atenção especial ao uso indevido de ferramentas de inteligência artificial (IA).
“A relação entre o TSE e as plataformas digitais é, muitas vezes, apresentada como uma oposição inevitável entre regulação e inovação. A experiência dos últimos anos, no entanto, demonstra que essa leitura simplista é falha e incompleta”, frisou o ministro.


