Rian Santos
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Descemos ao fundo do poço. Não foi a eleição do prefeito João Alves Filho. Não foi a nomeação do secretário de Cultura Nitinho Vitalle. Foi a naturalização de uma práxis política que subordina a administração pública às pretensões partidárias e projetos de poder diversos, todos maculados por conchavos de cunho personalista.
Dos males, o menor. O cancelamento do Projeto Verão é o mais inofensivo de nossos problemas – sintoma de uma relação viciada que obriga o artista local a balançar o rabo antes do afago. Preocupação maior habita o juízo de quem vislumbra a lógica eleitoreira que orienta a promoção dos chamados grandes eventos. Os propósitos ali empregados explicam não apenas a concentração absurda dos investimentos, mas também a presença de músicos vestidos com as cores de legendas partidárias em cima do palco.
Política de terra arrasada – A conversa mole do secretário municipal de cultura não engana ninguém. O Projeto Verão foi afligido pela mesma praga que ameaçou o carnaval de Aracaju. A alegada carência de recursos é apenas o traço mais visível de uma estratégia meticulosa, empenhada na construção de uma narrativa que negue os poucos feitos da administração anterior.
Está em curso uma política de terra arrasada. Não existe outra explicação para a realização do Carna Caju. São Pedro não pode ser responsabilizado pelo fim do Projeto Verão. A presença de Nitinho à frente da gestão cultural do município, segmento com o qual não possui a menor intimidade, explica muita coisa. A sujeição da Câmara de Vereadores ao arbítrio do poder executivo, também.


