Creches de Aracaju irão funcionar em meio período

Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br

Algumas creches de Aracaju estão mudando o horário de funcionamento por conta de uma demanda reprimida envolvendo a atuação de cuidadores na rede municipal.  
O assessor da Secretaria Municipal de Educação, Pedro Rocha, disse que o problema é reflexo da dificuldade para obtenção de cuidadores para suprir as necessidades existentes no ensino da primeira infância.
 A rede atende atualmente cerca de 1.600 crianças de zero a cinco anos, que ficam apenas meio período na unidade. "A meta da prefeitura é atender 5 mil crianças, mas estamos encontrando dificuldades de mantermos os cuidadores na rede. Por esta razão algumas creches terão que funcionar só meio turno", explica.

O assessor ressalta que a administração municipal manteve o concurso realizado na gestão anterior, convocando os aprovados no ano passado. O concurso teve validade até agosto de 2014. "Convocamos 240 aprovados. Dos  105  que compareceram, 85 começaram a atuar, mas somente um pouco mais de 40 continuou, número que não supre as necessidades de atendimento", informou.
  Atualmente, Aracaju possui 26 creches, quatro funcionam de forma parcial- com turnos de apenas meio período. As demais unidades, de acordo com o assessor, funcionam em horário integral, mas enfrentam dificuldades por causa do baixo efetivo de cuidadores.

"A creche é um tipo de serviço que gera grande demanda e muitos cuidadores acabam perdendo o interesse e não se adaptam à atividade. A secretária Márcia está tentando desde o ano passado mudar esta situação de baixo quantitativo de profissionais através da contratação emergencial. Aguardamos agora a prefeitura para abertura de licitação com este objetivo", ressaltou.
Segundo informações de Pedro Rocha, os cuidadores recebem um salário mínimo. A ampliação da oferta de creche também é uma das pautas prioritárias do movimento.

Conforme o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apenas 18,4% das crianças brasileiras de 0 a 3 anos e 81,3% das crianças de 4 a 6 anos têm acesso à educação infantil. No entanto, recortes de renda, campo e cidade e regiões do Brasil revelam o quanto essa média esconde desigualdades, pois 20,2% das crianças de 0 a 3 anos que moram na zona urbana frequentam a creche, mas a taxa cai para 8,8% na zona rural. Entre as famílias mais pobres, apenas 11,8% das crianças são atendidas em creches. Já entre as famílias mais ricas, a taxa sobe para 34,9%.
Apesar de os pais não serem obrigados a matricular os filhos na creche, essa é uma das maiores demandas das famílias brasileiras atualmente – alguns pedidos, inclusive, vão parar na Justiça, baseados no dever constitucional do poder público de atender as crianças de 0 a 5 anos.

De acordo com números apontados pelo Departamento de Políticas Sociais, Gênero e Etnia do Sindicato dos Professores de Sergipe (Sintese), o déficit aracajuano é de 90 creches, revelando que a capital sergipana segue em um número muito pequeno diante de uma demanda urgente.
A falta de oferta do serviço na rede pública prejudica as mães de baixa renda que trabalham e não têm como pagar uma creche particular. Outros dados são apontados como a ameaça ao direito feminino ao acesso e permanência em um trabalho remunerado, já que muitas mães acabam saindo dos seus empregos para ficar em casa cuidando das crianças pequenas, que também têm o seu direito à educação pública violado. 

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