Gabriel Damásio
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A violência entre grupos que agem no crime fez, entre suas vitimas, uma família que não tinha nada ver com a suposta história. E uma pessoa em especial, mesmo absolutamente inocente de tudo, perdeu a vida: Vitória Soares dos Santos, 11 anos, que tinha necessidades especiais. Ela levou um tiro na cabeça enquanto desenhava na porta da casa dos avós, na rua José de Almeida, bairro Santos Dumont (zona norte de Aracaju), por volta das 20h de domingo. O disparo partiu de um ataque desfechado por dois motoqueiros armados de pistola que tentavam matar um adolescente do bairro.
Vitória estava acompanhada por cerca de oito pessoas e duas delas saíram feridas. A mãe, Jacilma Soares dos Santos, 35, teve o ombro direito atravessado por um dos tiros. Já Yan Victor Moreira Santos, 15, vizinho da vítima e que teria sido confundido com o alvo dos assassinos, foi baleado em um dos braços. Ambos foram atendidos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Nestor Piva, no 18 do Forte (zona norte) e liberados na madrugada, sem riscos mais sérios.
Segundo a polícia, os matadores estavam rondando a Avenida São Francisco de Assis em uma moto vermelha e estacionaram diante do mercadinho pertencente ao avô de Vitória. Ali, eles encontraram Yan e o garupa abriu fogo. Atingido no braço, ele correu até o mercadinho e tentou entrar, mas a dupla o seguiu de moto e o carona continuou atirando. Ao ver que outras pessoas foram atingidas, os criminosos fugiram em direção ao bairro Cidade Nova. Enquanto isso, a família e os vizinhos das vítimas se alarmaram e levaram imediatamente as vítimas ao hospital. A morte de Vitória foi confirmada por volta das 22h de domingo e o corpo foi liberado ao início da manhã de ontem pelo Instituto Médico-Legal (IML).
O velório aconteceu na própria casa dos avós, onde ainda podiam ser encontradas cápsulas da pistola usada no crime. Toda a comunidade do bairro estava chocada. A mãe, Jacilma, estava em estado de choque e precisou ser amparada. Assim como a avó da vítima, que chegou a passar mal e receber socorro médico. Professores e alunos da escola onde a menina estudava também compareceram ao velório e se referiram a Vitória como uma criança ativa, carinhosa e praticamente independente, diante da necessidade especial que ela tinha. "Era uma criança totalmente inocente. Vitória era especial em todos os sentidos", lamentou uma das tias da vítima, Mary Soares.
Outra morte – Os parentes e vizinhos de Vitória asseguram que o rapaz de 15 anos baleado pelos matadores foi confundido com outro adolescente do bairro, o qual seria usuário de drogas. A suspeita da polícia é de que este rapaz seja Bruno Santos de Souza, 17, baleado na mesma noite próximo ao final da Rua A, no bairro Cidade Nova, perto do local onde a menina foi morta. Testemunhas atribuem este ataque a dois homens em uma moto vermelha que também chegaram ao local atirando. Bruno levou três tiros nas costas e morreu na hora.
Os dois casos são investigados pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que busca saber se há alguma relação entre os crimes. As investigações correm em sigilo.


