Crise na pediatria afeta toda a rede pública

Milton Alves Júnior

 

Ao longo das últimas semanas o Jornal do Dia vem denunciando a serie de dificuldades enfrentadas por centenas de famílias sergipanas que buscam no Sistema Único de Saúde (SUS), assistência nos setores de pediatria. Na última quinta-feira (08), pacientes reclamaram da falta de atendimento em unidades administradas pela Prefeitura de Aracaju; já no dia seguinte os familiares criticaram a inviabilidade de novas consultas e exames promovidos no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). Na manhã de ontem as lamentações se estenderam para o Hospital Regional José Franco, situado no município de Nossa Senhora do Socorro. Nesta unidade, sete profissionais da pediatria pediram demissão e desfalcam a escala médica.

Diante da situação, os pais estão sendo orientados a se dirigir para outras unidades da rede pública, em especial, ao próprio Huse e ao posto de saúde Fernando Franco – zona Sul de Aracaju, os quais seguem superlotado diante da procura atípica. Em entrevista concedida ao JD, o médico Willian Macedo, que atende em unidades públicas e particulares, a situação tem se agravado ao longo dos últimos 30 dias em decorrência da virose que tem atingido milhares de sergipanos e turistas. A mudança no clima também tem contribuído para o aumento na assistência infantil. No caso do Hospital Regional Zé Franco o problema é mais agravante.

De acordo com auxiliar administrativa Luíza dos Santos, em casos de superlotação, a depender da situação clínica da criança, é possível aguardar atendimento na própria unidade, ou buscar uma farmácia para medicado com remédios paliativos. Em Socorro a gravidade fica por conta da insuficiência funcional. "Eu tenho dois filhos, e os dois eu já precisei levar para postos de saúde de Aracaju porque aqui também estava superlotado. O problema agora é que ninguém está sendo atendido porque não tem pediatra. De um lado sofre o filho porque está doente, e sofre a gente porque não aguentamos ver uma situação dessa por parte dos gestores públicos", lamentou.

 

Médicos –  Mirela Assis, atual diretora do hospital, reconhece o problema e alega surpresa por parte da situação já que, em 40 dias, sete pedidos de demissão de médicos pediatras, foram protocolados, sendo seis deles sem aviso prévio. A gestora alega que não houve tempo suficiente para contratar novos profissionais e promover a devida reposição. Mirela lamentou ainda que as pendências operacionais tenham culminado justamente em uma época com as maiores demandas; tanto devido ao período junino, como devido aos problemas acusados pela virose. Ela pede ‘um pouco’ de paciência por parte da população.

"Desde que o problema surgiu eu venho dizendo que infelizmente o processo demora e não termina na mesma velocidade o qual todos nós desejaríamos. O que podemos garantir é que estamos trabalhando intensamente para reparar o deficit inesperado no quadro de pediatras, e, o mais rápido possível, voltar a atender toda a demanda de usuários conforme vínhamos fazendo antes de depararmos com essa situação", declarou.

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