Gabriel Damásio
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A crise política que desdobrou-se na queda do governo Dilma Rousseff acertou em cheio a economia e fez do comércio uma de suas principais vítimas. Os últimos meses foram marcados pela notícia do fechamento de empresas muito conhecidas no mercado sergipano, cujos encerramentos pegaram clientes e funcionários de surpresa. O fim mais recente foi o da rede de lanchonetes Habib’s, uma das principais do país, que desativou as suas unidades do Shopping Jardins (zona sul da capital). O JORNAL DO DIA não conseguiu uma resposta oficial da assessoria da empresa, em São Paulo, mas apurou que, na última quarta-feira, a grande maioria dos produtos anunciados já estava em falta e os seus funcionários encerraram o cumprimento do aviso prévio de 30 dias, estando oficialmente demitidos. No dia seguinte, as lanchonetes deixaram de funcionar.
Também nesta quinta-feira, a Justiça aceitou o pedido de recuperação judicial da Hiper Sales, uma das principais lojas de material de construção de Aracaju, que funciona desde 1986 e tem hoje duas lojas na capital. No processo, os proprietários alegaram que não conseguiram saldar dívidas e contratos com bancos e fornecedores, pois "a situação econômica que o país passou a apresentar contribuiu para o endividamento das requerentes". Em sua decisão, o juiz Antônio Henrique de Almeida Santos, da 14ª Vara Cível de Aracaju, nomeou um administrador para a Sales e deu prazo de 60 dias para o cumprimento de medidas como o levantamento dos credores e do passivo fiscal, a suspensão das execuções e a apresentação de um plano de recuperação financeira.
Já nesta terça-feira, foi a vez do restaurante Labareda Grill, na Farolândia (zona sul), que amanheceu fechado e deixou funcionários e fornecedores chocados, reclamando de salários atrasados e dívidas que ainda não foram pagas, incluindo o aluguel do imóvel. Eles acusaram o proprietário da empresa de fugir da cidade levando praticamente todos os móveis e equipamentos em um caminhão de mudanças, sem resolver as pendências. O prédio, que era alugado, precisou ser guardado pela Polícia Militar, para evitar que ele fosse invadido e depredado.
As três notícias coincidiram com a divulgação de estatísticas que reforçaram ainda mais o momento pessimista do comércio local. Com base em dados revelados nesta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Federação do Comércio de Sergipe (Fecomércio) estima que o movimento do varejo em Sergipe neste ano caiu 11,2% em março, 22,9% em fevereiro e 15,2% em janeiro. Todos os índices são uma comparação com o mesmo período de 2015. Ainda de acordo com a entidade, 624 lojas já fecharam em 2015, resultando na perda de 8.426 empregos. Entre elas, estão grandes firmas de departamentos, como a cearense Esplanada – que estava há 23 anos em Aracaju – e as pernambucanas Lojas Guido e Eletro Shopping.
Outras empresas de médio e pequeno porte do comércio também encerraram suas atividades ao longo do período. O total de firmas que fecharam em 2016 ainda não foi contabilizado, mas, conforme a Fecomércio, 979 demissões já ocorreram no setor até março deste ano. Este detalhe pode ser constatado em locais como os calçadões do Centro Comercial e os próprios shoppings, nos quais o movimento é pequeno, mesmo em horários de pico, e os prédios onde várias lojas funcionavam estão hoje com cartazes e placas de "vende-se" ou "aluga-se".


