Gabriel Damásio
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A polícia ainda não tem pistas sobre quem foi o responsável pelo abandono da criança recém-nascida que foi encontrada na noite da última quarta-feira, sob a calçada de uma casa no Conjunto João Alves, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju). A menina permanece internada na Maternidade Santa Isabel, de onde deve receber alta nesta segunda-feira. Segundo os médicos, o estado de saúde dela é bom. O bebê, que tem cerca de 2,5 quilos e está sob a guarda do Conselho Tutelar de Socorro e, a depender de decisão judicial, poderá ser disponibilizado para adoção, já que nenhuma pessoa se apresentou como parente da criança até a tarde de ontem.
As informações são confirmadas pela delegada Maria do Socorro Moura, responsável pela unidade local do Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV), que abriu um inquérito policial para apurar o abandono da criança. Ela afirma que toda a investigação está sob sigilo, mas confirmou que já pediu imagens de câmeras de segurança instaladas em casas e lojas instaladas nos arredores da casa onde a menina foi deixada, dentro de sacola de roupas infantis e envolvida em uma pequena manta. Segundo ela, o objetivo é tentar identificar a pessoa que carregou a menina até o local. Os policiais, socorristas e conselheiros tutelares que atenderam à ocorrência já foram ouvidos pela delegada. Moradores da região e outras testemunhas ainda serão chamados para prestar depoimento.
Na noite do episódio, um pescador que passava pela Rua 40, no Mutirão do conjunto, ouviu o som de um bebê chorando e desconfiou que ele vinha da frente de uma residência. Após constatar que se tratava de uma menina, ele a acolheu com a ajuda de alguns vizinhos e dos moradores da casa. De acordo com o relato, a criança teria nascido na tarde daquele dia e, quando foi encontrada, ainda estava com restos de placenta e uma parte do cordão umbilical. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamada e, após o primeiro atendimento, levou o bebê à urgência da Santa Isabel, no bairro Santo Antônio (zona norte). A Polícia Militar e o Conselho Tutelar também estiveram no local.
Segundo a delegada do DAGV, ainda não é possível afirmar se a iniciativa de deixar Maria Vitória na rua partiu da própria mãe ou de alguma outra pessoa. "As investigações precisam ser conduzidas com muita cautela. Nós não podemos acusar ninguém, nem mesmo a mãe. Nós não sabemos quais são as consequências, quais foram os motivos que levaram a pessoa a fazer isso… só com o fim das investigações é que nós poderemos dizer de quem é a responsabilidade. No momento, até que as investigações terminem, nós não descartamos nenhuma possibilidade", disse Maria do Socorro. Ela destacou ainda que o trabalho da polícia pode ser facilitado se alguma pessoa se apresentar à polícia ou à Justiça para reclamar a guarda da criança. "Estamos na expectativa de que algum parente dela se sensibilize e se apresente a nós", afirmou.
Tanto o DAGV quanto o Conselho Tutelar afirmam que já foram procurados por dezenas de pessoas interessadas em adotar a criança, que informalmente ganhou o nome de Maria Vitória. No entanto, a previsão é de que, após receber alta da maternidade, ela deve ser encaminhada a um abrigo. A decisão sobre a guarda definitiva dela ficará com o Juizado da Infância e Juventude da Comarca de Socorro. Pela lei, a prioridade será dada aos pais, avós, tios e outros parentes próximos, mas caso nenhum deles se apresente dentro do prazo legal, ela será incluída no Cadastro Nacional de Adoção.


