De folga, sargento morre ao proteger empresário

Gabriel Damásio

O segundo-sargento Waldomiro dos Passos Filho, 43 anos, lotado na 4ª Companhia do 8º Batalhão de Polícia Comunitária (4ª Cia/8º BPCom), morreu por volta das 18h de ontem, após levar quatro tiros e ser internado em estado grave no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). O crime aconteceu às 15h50, em frente a uma agência do Banese na Rua Sargento Brasiliano, bairro Santos Dumont (zona norte de Aracaju), onde quatro homens armados e encapuzados atiraram no policial, que estava de folga e trabalhava como segurança, e roubaram ainda um malote de dinheiro, cuja quantia não foi divulgada.

Segundo as primeiras informações da PM, Valdomiro estava de folga e acompanhava um amigo que ia ao Banese para depositar o dinheiro do malote, o qual pertenceria a uma empresa do comércio. As vítimas chegaram ao local em uma caminhonete VW Amarok cinza e, atrás dela, parou em seguida um Honda Civic prata, de onde desceram os quatro bandidos encapuzados. "Tudo indica que esses bandidos já sabiam que eles iam fazer um depósito no banco naquela hora, porque assim que o sargento saiu da Amarok, os elementos atiraram nele, e atiraram para matar. E depois dos tiros, eles pegaram o dinheiro e fugiram", disse o tenente-coronel Paulo César Paiva, chefe de relações-públicas da PM, indicando que os criminosos podem ter seguido a caminhonete das vítimas até o Banese.

Waldomiro foi atingido na mão, na perna, no tórax e no abdômen, sendo que este disparo perfurou o baço e provocou uma hemorragia gravíssima. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou rápido à porta do banco, mas precisou estabilizar as funções do paciente antes de levá-lo ao Huse. De acordo com Paiva, o militar chegou ao hospital em quadro de choque hipovolêmico, causado pela perda rápida de sangue, e sofreu seis paradas cardíacas. "Ele já tinha sofrido as três paradas cardíacas no local, foi reanimado, levado ao hospital e os médicos decidiram tentar uma cirurgia exploradora no abdômen para tentar estancar o sangue. Só que o sargento voltou a sofrer paradas cardíacas na mesa de cirurgia e, infelizmente, não resistiu", confirma o porta-voz.

A polícia se mobilizou assim que foi alertada do assalto na porta da agência. De imediato, um alerta geral foi dado pelo rádio a todas as viaturas da PM e uma grande ação de busca aconteceu pelo resto da tarde no Santos Dumont e em outros bairros da zona norte. Até o fechamento desta edição, nenhum suspeito foi preso, mas a polícia confirmou que pelo menos um dos assaltantes usava um colete azul. "Nós pedimos a todas as pessoas que, porventura, tenham visto alguma movimentação estranha nas ruas próximas, ou viram esse carro prata, ou viram os quatro homens trocando de carro, que possam ajudar a polícia e repassar essas informações", apela o tenente-coronel.

A morte do sargento Filho, que tinha 19 anos de carreira na PM, provocou choque e muita revolta entre os colegas de farda, que se manifestaram nas redes sociais e através da internet. "Cadê agora os direitos humanos para este policial que perdeu sua vida combatendo marginais e para seus familiares? EXISTE?", protestou o blog da Associação dos Militares de Sergipe (Amese). O corpo do policial foi liberado ontem à noite pelo Instituto Médico-Legal (IML) e deve ser sepultado até na tarde deste sábado.
Qualquer informação sobre os autores da morte do sargento Waldomiro pode ser repassada pelos telefones 190 (Polícia Militar) ou Disque-Denúncia (181).

Compartilhe esta notícia