Chico Freire
Após a leitura da mensagem governamental na abertura dos trabalhos legislativos na tarde de ontem, o governador Marcelo Déda (PT), ao falar com a imprensa sobre o Proinveste, que deve ser encaminhado para análise, discussão e aprovação, disse que os obstáculos mais graves entre governo e oposição foram superados, com a participação de importantes lideranças, em especial a presidente da Assembleia Legislativa, a deputada Angélica Guimaraes (PSC). "Pontes foram colocadas que aproximaram a oposição do governo, no sentido de discutir detalhadamente o Proinveste e construirmos juntos, governo e oposição, um acordo capaz de viabilizar o empréstimo e criar condições para que esse investimento venha para Sergipe".
O Proinveste, segundo Déda, não é algo que vai servir ao governo ou eventualmente à oposição, é um investimento que vai favorecer ao povo de Sergipe. "E vai criar as condições para que nós continuemos oferecendo números como os que oferecemos hoje aqui na AL. Números que indicam melhorias de indicadores sociais e significativos avanços na industrialização de Sergipe e uma geração muito grande de empregos. Portanto, os recursos do Proinveste são como um alicerce que vão garantir que essa tendência de crescimento econômico e de inclusão social, permaneça ao longo da próxima década, inclusive quando eu não for mais governador. Aqueles que vierem, ainda terão oportunidade de a partir dos investimentos realizados, avançar nos dados sociais e nos números da economia sergipana".
Sugestões – Perguntado se as sugestões apresentadas pela bancada de oposição ao Proinveste serão aproveitadas, Déda disse que sim, observando ter sido inaugurada uma negociação de alto nível. "Uma negociação transparente, uma negociação ética, fundada na seguinte constatação: o governo tem o direito e o dever de buscar recursos para investir no desenvolvimento do estado e no bem estar do seu povo, e a oposição tem o direito e o dever de examinar investimento por investimento e apresentar emendas, de apresentar sugestões que sob o ponto de vista da oposição possam aperfeiçoar e melhorar o projeto".
"A oposição apresentou, nós examinamos e estamos devolvendo com uma série de observações e de contrapropostas aquele primeiro documento que nos foi enviado. Eu quero acreditar que ao longo do mês de março nós estaremos em condições de votar o Proinveste, porque as condições estão dadas, o diálogo está inaugurado, não há radicalismo de parte a parte, não há nenhuma vontade de ninguém criar obstáculo para ninguém e nesse sentido nós vamos sair com o Proinveste, que não é mais aquele que eu desenhei e talvez não seja aquele que a oposição queria, mas é aquele que foi possível do diálogo, do entendimento em beneficio do bem comum e do povo de Sergipe", disse.
Perguntado o por quê da redução de R$ 727 milhões para cerca de R$ 560 milhões, o governador esclareceu que: do Proinveste, os projetos de empréstimos estavam em dois, o Proinveste e um que o Cepac, e que na discussão e até pela facilidade para informar a opinião, foi tudo chamado de Proinveste, o que na verdade são dois programas, sendo do Proinveste cerca de R$ 560 milhões e do Cepac – que é para financiar as contrapartidas do PAC, a exemplo das obras de esgoto da Deso, onde o estado tem que entrar com uma contrapartida -, acontece que os estados já não estavam suportando o peso das contrapartidas e o governo federal lançou esse programa.
"Nós entendemos que era melhor separar e votar primeiro o Proinveste e depois de votar o Proinveste, abrir uma discussão mais tranquila sobre o Cepac, até porque não tinha prazo tão apertado para o Cepac como existiam para o Proinveste", esclareceu.
Maioria – Questionado se vem trabalhando para voltar a ter maioria na AL, Déda disse que todo governo tem por dever de oficio, buscar construir maioria entre os parlamentares. "Ele pode até não conseguir, eu até agora não tenho conseguido, mas o dever é buscar construir essa maioria. Nosso esforço de diálogo com os parlamentares continua. Nosso esforço de diálogo com os partidos continua, naturalmente que construir ou não a maioria é algo que depende da vontade dos próprios parlamentares", disse.
Perguntado o que está faltando para a construção dessa maioria, o governador disse que às vezes as pessoas não querem apoiar o governo, lembrando que o tempo que foi deputado, cerca de 10 anos, não passou um segundo no governo. "Porque para mim importava naquele momento cumprir o papel da oposição. Há vários deputados que integram a oposição e têm projetos estratégicos, e, portanto, precisam marcar posição na oposição ao governo. Não há nada de assombroso nisso".
Questionado sobre a maioria consolidada que tinha, Déda lembrou que teve maioria no primeiro governo e maioria até o ano passado, quando houve divergências na base que inviabilizaram a convivência daquele bloco que havia ganho as eleições de 2010. "São fatos da política e não é a primeira vez que ocorre no Estado de Sergipe e nem será a última. O desentendimento entre forças políticas hoje aliada e amanhã adversária, é um fenômeno comum na política porque cada partido é uma unidade, tem a sua identidade e eventualmente os partidos se unem para construir um bloco ou uma coligação", frisou.
Perguntado se tem prejudicado o governo, disse Déda não ser bom para o governo ter minoria, mais ter maioria. "Dá mais trabalho, mas às vezes ajuda a botar a bola no chão, olhar mais o campo, ter mais humildade. Tudo na vida tem um lado bom e um lado ruim".


