"Nenhuma nação se legitima na história se desprezar a liberdade e se ignorar o valor da igualdade". Representando os governadores, foi esta uma das frases que Marcelo Déda usou para sintetizar o "dia histórico" em que o Brasil Sem Miséria retira os últimos 2,5 milhões de brasileiros da extrema pobreza entre os beneficiários do Bolsa Família.
O anúncio feito ontem, em Brasília, consolida a política do Governo Federal de erradicar a miséria no país. No total, foram 22 milhões de pessoas que superaram a pobreza extrema. "Este é um projeto capaz de somar o desenvolvimento econômico com a inclusão social", elogiou Déda.
Depois de se dizer "encantada" com a capacidade oratória do governador, "de falar e fazer poesia", a presidenta comentou a frase estampada em painel no segundo andar do Palácio do Planalto: "O fim da miséria é só um começo". "Para mim, esta frase é irmã – e o Déda tem razão – do dístico do meu governo que afirma, com coragem e ousadia, que País Rico é País Sem Pobreza".
Foi justamente o dístico que mereceu longa análise do governador. Para Déda, a frase que iria identificar a administração da presidenta é mais do que uma iniciativa de marketing. "A primeira vez que apreciei a marca de seu governo eu tomei um choque. Um choque positivo. Percebi que, além de um slogan, essa marca traduzia a sua coragem e o seu compromisso".
Para ele, a escolha do dístico revelou ousadia. "Não conheço um governo que tenha tido a coragem de colocar como marca da sua administração, não uma afirmação retórica, mas um compromisso político radical". E completou: "A senhora propunha um desafio à sociedade, à Federação. E sei que tem ali um desafio a si própria".
Déda, então, lembrou a Revolução Francesa para ilustrar o momento histórico vivido pelo Brasil. Não há como falar em progresso ou em desenvolvimento quando "bilhões de seres humanos vivem como órfãos da solidariedade, os sans-culotte da pós-modernidade", enquanto uma minoria usufrui, por exemplo, os avanços da tecnologia.
Na visão do governador, o Governo Federal foi competente em transformar ganhos administrativos e uma revolução na gestão das políticas sociais no Brasil Sem Miséria. Neste momento, Déda criticou os que tentam divorciar a gestão da política, no que ele chamou de "fetichização da política" ou os defensores do "pensamento único das teorias de uma globalização excludente".


