Cândida Oliveira
A superlotação no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) durante a última semana gerou problema até para a Polícia Militar. Tudo porque a demora no atendimento e a reclamação dos pacientes geraram tumulto e foi necessário acionar a polícia para manter a ordem no local. Para a direção do Huse, a demanda extra na área de atendimento é motivada pela deficiência das Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) de Aracaju: Nestor Piva, na Zona Norte, e Fernando Franco, na Zona Sul, onde os pacientes não recebem o atendimento e acabam buscando socorro no Huse.
Quem podia esperar voltava para casa, como a senhora Maria Lúcia que foi até o Nestor Piva esta semana com suspeita de dengue e não foi atendida. "Cheguei lá não tinha médico fui para casa". Pelo mesmo sufoco passou a senhora Marta Santos, que levou a filha para a UPA da Zona Norte e também não conseguiu atendimento. "Minha filha a noite toda com febre e não tinha médico para atender", reclamou.
No Huse, a situação também esteve complicada, com muitos pacientes à espera por atendimento. "Estava com minha esposa passando mal há muito tempo, fui ao Nestor Piva, mas não teve jeito, tive que ir para o hospital", contou o senhor Manoel Silva. De acordo com ele, ao chegar ao Huse se deparou com uma recepção lotada de pessoas esperando durante horas o atendimento, que deveria ser de urgência.
A assessoria de Comunicação do Huse se manifestou sobre a superlotação informando que a Área Azul do Pronto Socorro (PS) tem capacidade para 35 pacientes e que há um dimensionamento da equipe para atender a demanda normal e diária. Quando essa demanda é extraordinária, todo o fluxo é perdido e o atendimento é feito de acordo com a classificação de risco. "Como alguns pacientes não entendem que o atendimento é feito pela gravidade, e não por ordem de chegada, gera tumulto, agressão verbal a equipe e um desgaste diário", explicou a coordenadora do PS, Aline Carvalho.
O presidente do Sindicato dos Médicos de Sergipe (Sindimed-SE), João Augusto Alves, esclareceu que a superlotação do Huse não pode ser atribuída apenas a deficiência das UPAs da capital. "As deficiências nas escalas médicas e na estrutura das UPAs de Aracaju são evidentes. Entretanto, muitos pacientes do interior também recorrem ao Huse, porque muitos hospitais regionais não funcionam como deveriam. A deficiência está na própria Rede Hospitalar do estado, que não funciona. Alguns hospitais do interior não oferecem o serviço de urgência nos sete dias da semana", destacou.
A informação da assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde de Aracaju é que o secretário de Saúde, Avilmar Rodrigues de Moura, e sua equipe técnica estão trabalhando para resolver a escala médica e o abastecimento de medicamentos. "Fizemos uma compra emergencial, o processo já está em andamento e na próxima semana os medicamentos devem chegar às unidades de saúde", explicou Alexandra Brito. Participaram do processo 17 empresas e um dos critérios para participação é a entrega imediata dos remédios.
Sobre os médicos, ela confirmou que não existe especialista suficiente para atender a demanda e, além disso, existem os casos em que o médico está de atestado, o que dificulta ainda mais o atendimento nas UPAs. "Na última semana tivemos uma situação complicada, dos três médicos da escala dois estavam de atestado", comentou a assessora de comunicação. Atualmente o Nestor Piva atende 500 pessoas por dia, já o Fernando Franco 350.
Problemas com transferência de pacientes para os hospitais geram ocupação dos leitos das UPAs. "O paciente deve ficar no máximo 24 horas na Unidade, depois deve ser transferido para os hospitais, como temos dificuldade de conseguir leito, a pessoa fica na UPA ocupando as vagas. Esse é um dos fatos que gera a superlotação, pois ficamos com menos leitos", contou Alexandra. A Saúde de Aracaju tem contratos com os Hospitais Cirurgia, São José e Santa Izabel, para disponibilizar leitos de retaguarda.
Na próxima quarta-feira, 2, às 9 horas, no Centro Administrativo da Prefeitura de Aracaju, será realizada reunião entre os gestores da saúde municipal e estadual para discutir sobre o Plano de Atendimento de Urgência e Emergência do Estado.


