Gabriel Damásio
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Os delegados da Polícia Civil decidiram, em assembleia realizada na tarde de ontem, iniciar mais uma greve por tempo indeterminado. Eles protestam principalmente contra o atraso e parcelamento dos salários da categoria, bem como a falta de pagamento de horas-extras, licenças-prêmio, diárias e outros direitos trabalhistas. O início da paralisação foi marcado para esta segunda-feira, às 8h. Já a comunicação formal da greve deve ser entregue hoje de manhã ao delegado-geral do órgão, Alessandro Vieira. Com essa decisão, apenas 30% do efetivo estará em funcionamento.
O atendimento à população será concentrado nas delegacias Plantonista Norte, Plantonista Sul (ambas em Aracaju) e regionais de Estância e Itabaiana. Também haverá delegados de plantão apenas na Corregedoria de Polícia Civil, na Academia de Polícia Civil (Acadepol), na Divisão de Inteligência e Planejamento Policial (Dipol), no Centro de Operações Policiais Especiais(Cope) e nas Coordenadorias de Polícia da Capital (Copcal) e do Interior (Copci). O movimento dos delegados deve contar com o apoio dos agentes e escrivães, que já suspenderam as diligências de rua e priorizaram os serviços internos das delegacias, dentro da operação-padrão chamada ‘Meu Salário, Minha Vida’.
Segundo o presidente da Adepol, Paulo Márcio Cruz, a greve só será suspensa quando o governo estadual realizar o pagamento integral e pontual dos salários, ao final do mês trabalhado. "Esse indicativo de greve foi proposto em decorrência dessa política do governador Jackson Barreto, que há dois anos massacra o servidor público estadual, especialmente os policiais civis, delegados, agentes e escrivães. Ontem, nós tivemos o pagamento de 30% dos nossos salários e esse valor já foi completamente retido pelo Banese, já que a maioria dos servidores, em razão desse desajuste em suas contas, recorreram a empréstimos consignados, cheque especial, cartão de crédito… É uma situação que, quando dura mais de dois anos, causa um completo desajuste que interfere até mesmo no psicológico de qualquer cidadão", protesta o delegado.
Sobre o pagamento das horas-extras, Paulo Márcio citou que elas se referem a períodos de plantões de fim-de-semana, operaçõese outras escalas extraordinárias cumpridas antes de maio de 2016. Ele afirma que o atraso no pagamento desses direitos perdura há bem mais tempo e, caso não seja regularizado pelo governo, pode comprometer o esquema de policiamento das eleições municipais, cuja votação acontece em 2 de outubro. "Se o estado não resolver, já nesta semana, o problema referente às horas extras não pagas, os delegados não trabalharão nos plantões do dia da eleição, na capital e no interior. Isso também foi decidido por unanimidade", disse ele, ao revelar casos de delegados que têm até 300 horas-extras acumuladas e ainda não pagas. "O Estado está promovendo um verdadeiro calote, um absurdo", completa.
Outra reivindicação está no fim da acumulação indevida de delegacias, ou seja, quando cada delegado fica responsável pela titularidade de duas ou três unidades policiais ao mesmo tempo. O presidente da Adepol classifica tal situação como "humanamente impossível" e reclama que muitos delegados, apesar de responsáveis por uma só cidade, precisam trabalhar diariamente em dois ou três municípios diferentes, sem receber qualquer compensação financeira pelo serviço extra. "Foi uma série de equívocos que, acumulados, levaram a essa situação. Não pé só inconformismo ou insatisfação. Já é caso de revolta", afirma Paulo, ao resumir os motivos da greve dos delegados.
SSP – Antes mesmo de ser notificado sobre a greve, o delegado-geral Alessandro Vieira falou sobre o movimento. Ele considerou que o movimento é ‘legítimo’, mas promete evitar que ele prejudique o atendimento à população. "Na medida em que eles façam o movimento de forma ordeira e respeitem os limites da lei, até mesmo a decretação de greve, não vai ser visto como problema. Gera prejuízo no desempenho, mas é um direito do cidadão e tem que ser respeitado. As manifestações serão compreendidas se estiverem dentro da lei. Quando percebemos que o limite foi ultrapassado, tomaremos as medidas cabíveis, tanto judiciais quanto administrativas", comentou.


