Demissão em massa na Santista coloca cerca de 200 na rua

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Mais de 160 funcionários da fábrica de tecidos Santista Indústria Têxtil foram assinar ontem o termo de rescisão contratual. Com sede no município de Nossa Senhora do Socorro, o grupo informou apenas por nota oficial que a medida administrativa necessitou ser adotada devido à crise econômica enfrentada ao longo dos últimos seis meses. Conforme contabilidade apresentada pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Têxtil de Sergipe (Sinditêxtil), o número de demitidos deve alcançar a casa dos 200 ainda nesta quarta-feira. As demissões estão sendo realizadas por ordem alfabética.
Com baixas nas vendas e mínima perspectiva de reestabelecimento positivo nos lucros, a direção regional decidiu suspender neste mês de junho todas as operações promovidas no Estado de Sergipe. Ainda segundo a empresa, toda a demanda operacional antes realizada em Socorro será transferida para a fábrica da Santista que fica situada em Tatuí (SP). Agora ex-mecânico de manutenção da Santista, o presidente do Sinditêxtil Adilson Gama enaltece a necessidade de todos os trabalhadores estarem atentos aos contratos rescisórios assinados junto à indústria. A direção sindical se diz disposta a dialogar e orientar todos os filiados que necessitem de apoio jurídico.
A demissão em massa – ao contrário do já ocorrido em outras empresas, não foi surpresa para a classe trabalhadora que, inclusive, já vinha acompanhando o processo de interrupção na produção local. "É preciso estar atento a todos os procedimentos feitos no departamento de recursos humanos para que todos os colegas da Santista possam garantir que seus direitos sejam resguardados. O nosso sindicato avalia o fechamento da fábrica como um fato lamentável para a nossa classe e reafirmamos o compromisso de amparar os filiados no que for necessário", disse o presidente. Ainda segundo esclarecimentos da Santista, o grupo industrial se compromete a adotar todas as medidas cabíveis a fim de apoiar os ex-funcionários.
A perspectiva de fechamento da unidade Sergipe tem sido debatida entre os funcionários há mais de dois anos em decorrência das demissões que já vinham ocorrendo de forma paulatina. Em 08 de outubro de 2012, por exemplo, 40 profissionais da fábrica foram dispensados sem justa causa. Naquele momento a empresa já pretendia reduzir em até 40% a produção da fábrica devido à queda nas vendas. Esta – conforme esclarecimento do grupo, seria a única causa das demissões. Já no dia 16 de fevereiro de 2013 foi a vez da Sergipe Industrial (SISA) fechar a unidade do Bairro Industrial, em Aracaju. Dos 500 funcionários que atuavam no local, pouco mais de 200 foram demitidos. Os demais acabaram sendo transferidos para outras unidades da empresa na capital e na cidade de Riachuelo.
A partir de hoje, Adilson Gama torce para que as gestões públicas se preocupem com a ampliação do índice de desempregados em Sergipe e busque reparar a lacuna deixada pela Santista. "Enquanto gestor do sindicato estou conversando com os colegas de profissão para que, repito, possamos garantir os direitos constitucionais de todos os trabalhadores que estão devidamente amparados pela lei. Enquanto isso, esperamos que o governador Jackson Barreto, o prefeito Fábio Henrique e até os demais prefeitos e vereadores do nosso estado possam se mobilizar para encontrar saídas que ajudem a evitar outros fechamentos de fábricas", pontuou o sindicalista.

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