Kátia Azevedo
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O primeiro dia de atendimento nos postos de saúde da capital após a greve dos médicos foi marcado por grande procura de pacientes nas unidades.
Os serviços mais atingidos pela greve foram os ambulatoriais e Centro de Especialidades Médicas. Ontem, no retorno dos médicos às atividades, usuários da unidade de saúde Cândida Alves, no bairro Santo Antônio, zona norte de Aracaju, compareceram logo cedo ao local.
"Tenho exames para fazer e preciso de autorização da médica", disse a dona de casa Antônia Oliveira Nascimento. Outras pessoas também preferiram chegar cedo ao posto de saúde. "Hoje espero ser atendida", disse Cristiane Gomes Silva. Ela conta que a filha de dois anos está muito gripada e que desde segunda-feira vinha buscando atendimento na unidade de saúde, mas sem sucesso.
Durante o período da greve, somente 30% do efetivo dos médicos continuaram trabalhando nas unidades de saúde. Entretanto, a prestação de serviços ficou comprometida em decorrência da já conhecida precariedade do sistema. Com os serviços suspensos, vários postos de saúde registraram longas filas e o atendimento foi feito de forma muito lenta.
Também durante o período de paralisação, muitas pessoas procuraram assistência nas Unidades de Pronto-Atendimento. Na quarta-feira, pacientes que precisaram de atendimento no Nestor Piva, na zona norte, enfrentaram dificuldades para ter acesso à assistência. Muitos pacientes denunciaram que tiveram que esperar horas pelo atendimento por causa do número insuficiente de médicos.
A longa espera liderou a lista de queixas de quem esteve no local, que chegou a registrar mais de 100 pessoas na recepção e que só existiam quatro médicos dos cinco que atuam na unidade e que apenas um médico estava de plantão.
A direção da UPA chegou a informar que seis médicos clínicos, um cirurgião, um ortopedista e um dentista faziam o atendimento no local, mas o movimento intenso se agravou na quarta-feira por conta da greve dos médicos, fato que acabou direcionando os pacientes para o Nestor Piva.
A assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que ontem o atendimento foi dentro do esperado e que mesmo nos dias de greve a assistência foi garantida.
"Nas 43 unidades de saúde não tivemos nenhum registro de queixas. A cobertura foi garantida, já que a adesão não foi total à greve. Também contamos com médicos contratados através do Ministério da Saúde", informou Cristina Rochadel, assessora de comunicação da SMS.
A greve teve como principal motivo a proposta apresentada pela prefeitura, que mudaria a data base do reajuste salarial deste ano, fato que não agradou aos profissionais. De acordo com o Sindicato dos Médicos, dos 500 profissionais concursados cerca de 400 aderiram à paralisação. Apenas 100 que atuam na rede de urgência e emergência continuaram trabalhando. Com o inicio das negociações, a categoria decidiu suspender o movimento grevista na última quarta-feira, 15.
Nova assembleia da categoria será realizada dia 04 de junho, às 14 horas, na sede do sindicato.


