Desarticulada quadrilha que roubava para comprar crack

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Uma nova operação das polícias Civil e Militar foi deflagrada no início da manhã de ontem e desarticulou mais uma quadrilha de assaltantes que agia em Aracaju – e também tinha envolvimento com o tráfico de drogas. O cerco aconteceu na Invasão das Malvinas, próximo ao bairro Aeroporto (zona sul), com cerca de 60 agentes e soldados de várias unidades. Seis acusados de integrar a quadrilha foram presos e o adolescente Robson Medeiros de Menezes, 17 anos, o "Cabeção", morreu após trocar tiros com os policiais. O grupo era investigado há mais de dois meses pela 4ª Delegacia Metropolitana (Cj. Augusto Franco), pela Divisão de Inteligência e Planejamento Policial (Dipol) e pela Companhia de Policiamento de Radiopatrulha (CPRp).

Os presos foram identificados como Danilo Fontes Santana, 18 anos, Luis André Souza Bomfim, 27, José Adriano Santos, o "Bráulio", 26, Everton Michel Araújo Batista, 21 anos, o "Shrek", e os primos Rafael Silva Cavalcante, 20, e Ricardo Medeiros Cavalcante, 37, chefe da quadrilha, primo de Robson e apontado nas investigações como a pessoa que comandava a distribuição de drogas nas Malvinas, além de indicar os locais que seriam assaltados pelos comparsas. Segundo o capitão Hiran Rocha, comandante da CPRp, todos eles tiveram suas prisões preventivas decretadas pela Justiça.

Um parente de um dos acusados chegou a ser detido, mas foi liberado em seguida por falta de provas. Na ação, foram apreendidas cinco armas de fogo com munição, incluindo uma pistola calibre 380 que estava com Robson, cerca de três quilos de maconha, uma pequena porção de cocaína e uma quantia em dinheiro. A polícia também encontrou com os acusados dois quilos de crack e mais de 35 pedrinhas da droga prontas para venda. Além dos cinco mandados de prisão, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão e duas autuações em flagrante.

De acordo com a delegada Mayra Fernanda Moinhos, da 4ª DM, este total de crack é avaliado em R$ 45 mil e teria sido comprado com o dinheiro dos assaltos realizados pela quadrilha. "Havia informações mais antigas de que esse pessoal já praticava o tráfico na região. Robson investia em drogas, e Ricardo comprou um carro, além de investir em armas e drogas", disse. A delegada citou a participação dos acusados em dois assaltos recentes. O primeiro foi em 5 de fevereiro deste ano contra um Ponto Banese da Avenida Gasoduto, no Cj. Orlando Dantas (zona sul), de onde foram roubados R$ 10 mil em dinheiro e o revólver calibre 38 de um vigilante.

O outro, em 1º de março, foi contra o Hiper Sales Sul, na Avenida Melício Machado, bairro Aruana (zona de expansão), onde o adolescente chegou a ser preso em flagrante, mas acabou solto três dias depois. "O Hiper Sales foi assaltado por Robson, Ricardo e Shrek. Nós vimos que a quadrilha atuava de forma contumaz e com bastante periculosidade. Inclusive na prisão do Robson pela Radiopatrulha, Ricardo e ‘Shrek’ chegaram a confrontar a guarnição", lembra Mayra.

A delegada afirma que os suspeitos foram descobertos após o assalto ao Banese e que, por serem moradores das Malvinas, já eram investigados pelos soldados da CPRp. "Existe ainda um sétimo envolvido na quadrilha e que foi preso em flagrante pela Radiopatrulha no assalto à loja de materiais de construção, no mês de março. Com as investigações da Polícia Civil foi possível descobrir que ele fazia parte desta quadrilha. E já fazíamos levantamento de informações com denúncias e com populares. Conseguimos os mandados de prisão junto à Justiça e, com o convite da 4ª DM, para realizar a operação, nos prontificamos e vamos continuar intensificando a presença da PM no local", afirma o capitão Rocha.

Confronto – Robson "Cabeção", que segundo a polícia, tinha mandados de apreensão por homicídio, tráfico de drogas, roubo majorado e formação de quadrilha. A casa dele foi cercada por volta das 5h. Segundo a delegada, o adolescente costumava dormir com a pistola 380 carregada e algumas munições extras embaixo do travesseiro. "O irmão dele não contesta, confirma a versão dos policiais de que ele dormia com a pistola no travesseiro e que ele já estava esperando por sua prisão, sendo inclusive acordado pelo helicóptero da polícia. Quando fomos cumprir o mandado dele, fomos recebidos com um disparo de arma de fogo e Robson foi alvejado", disse a delegada.

O adolescente morreu enquanto era levado ao Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). A família do acusado contestou a versão da polícia e, a jornalistas, alegou que não houve reação da parte dele. Mayra afirmou desconhecer a versão dos parentes e ressaltou que duas das armas e parte das drogas foram achadas na casa de Robson.

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