Milton Alves Júnior
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Um grupo de moradores do bairro 18 do Forte, em Aracaju, protagonizou um ato de vandalismo e desespero na manhã de ontem em parte da Avenida Visconde de Maracaju. Inconformados com o desabastecimento de água por parte da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso), a população decidiu destruir uma das tubulações existentes na região e apossar-se do líquido. Ao ser comunicada quanto à destruição promovida pelos moradores, a direção da Deso acionou a Polícia Militar, que em poucos minutos chegou ao local indicado e tentou inviabilizar o desvio irregular de água. Durante a abordagem militar o grupo informou que desde a semana passada sofre com a falta de água nas torneiras. Caminhões pipa foram reivindicados pelos moradores, mas a Deso teria negado.
O problema, que já era conturbado desde o início deste mês no 18 do Forte e intermediações, no último sábado, 09, foi agravado com a queda da ponte José Américo de Almeida, no município de Laranjeiras. Sem resposta positiva por parte da Deso, e sem o registro de rodízio do fornecimento na área residencial, cerca de 30 pessoas decidiram pelo ato de vandalismo a fim de amenizar parte dos impasses enfrentados há mais de quatro dias. De acordo com Joelson Ribeiro, proprietário de uma lanchonete, com a suspensão do fornecimento de água o preparo de sucos, produção de gelo e lavagem de pratos está inviável. Com isso, o movimento de clientes diminui e a geração de renda já apresenta a maior baixa financeira deste ano.
Presente no rompimento da tubulação, ele disse ter adotado a medida por questões de desespero e sobrevivência. "Não temos uma gota de água nas torneiras e se pra quem está em casa a situação já é complicada, imagine para nós que precisamos muito da água para manter o comércio aberto. Terça pela manhã fui atrás de garrafões de água mineral para pelo menos fazer suco e gelo, mas não encontrei em quase lugar nenhum, e onde tinha o preço era quase duas vezes mais que o normal. Por isso eu vim pra pelo menos encher dois baldes", afirmou.
Segundo avaliação técnica do Governo de Sergipe, com 70 profissionais mobilizados em caráter de emergência, a perspectiva é que a obra de reforma paliativa da adutora rompida possa ser concluída até amanhã. Já o fornecimento de água deve ser restabelecido em até 48h.
Apesar do conflito enfrentado com os agentes da Polícia Militar, parte dos moradores avalia a tentativa de desvio da água como positiva. Mãe de dois filhos, a doméstica Elizabeth Socorro Silva disse passar por dificuldades dentro de casa e os baldes cheios de água iriam ajudar a aliviar as aflições. "Tenho uma menina de três anos que está sem tomar banho desde segunda à noite. Gente, estamos falando de uma criança que precisa de higiene para evitar doenças. Sem água, como é que eu vou cuidar dos meus filhos? Teve um probleminha com a polícia, mas eu faria tudo de novo porque sem água a gente não pode ficar", disse. Oficialmente a direção da Deso reprovou a atitude adotada por um pequeno grupo de moradores e informou que atitudes como essas apenas atrapalham a regularização do serviço público.
Casos semelhantes – Na manhã da última terça-feira, 12, moradores do conjunto Augusto Franco também teriam destruído parte de tubulações externas a fim de desviar o líquido. Devido à medida adotada por vândalos, o fornecimento que estava previamente estabelecido para ocorrer em centenas de residências teve que ser suspenso até que o dano identificado fosse reparado por operários da Companhia de Saneamento. "Esse tipo de atitude só atrapalha o andamento do serviço e acaba prejudicando outros milhares de aracajuanos que estão, também, enfrentando esse momento de dificuldades. A Deso lamenta esses fatos promovidos por minorias que acabam prejudicando a maioria", avaliou o assessor de comunicação, Wendell Barbosa.
Ainda segundo a assessoria, o órgão estadual apenas tem autorizado o repasse de caminhões pipa para hospitais e postos de saúde. Aqueles que desejam contratar um caminhão carregado com 10 mil litros deve desembolsar em média R$ 1.500.

