Desfile, campanha e protestos vão marcar o Sete de Setembro

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Neste domingo, o Brasil completa 192 anos de vida independente. A maior data nacional, que lembra o início do rompimento das relações do então Reino de Portugal com sua ex-colônia, em 1822, é sempre lembrada em Aracaju por uma série de manifestações populares. A principal delas é o Desfile Cívico-Militar da Avenida Barão de Maruim, no Centro, o qual promete reunir aproximadamente 20 mil pessoas.

Organizado pela Secretaria Estadual da Educação (Seed), a parada começa pontualmente às 8h, com a chegada do governador Jackson Barreto, o hasteamento da bandeira e as honras prestadas pelos comandos das Forças Armadas. Em seguida, começam a desfilar aproximadamente 3 mil soldados do Exército, Marinha, Aeronáutica, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Guarda Municipal de Aracaju, bem como suas respectivas viaturas e cavalos do Esquadrão de Polícia Montada (EPMon).

Na sequência, desfilam oito entidades comunitárias, incluindo os escoteiros, e mais de 3 mil alunos de 26 escolas, sendo seis particulares e 20 da rede estadual de ensino. A Seed definiu para este ano o tema "Liberdade, Liberdade, Abre as Asas Sobre Nós", no qual será recontada a história da Independência do Brasil, desde a chegada da família real portuguesa, em 1808, até os dias de hoje. O desfile conta ainda com dois carros temáticos e oito tripés representando símbolos nacionais.

Grito – Em paralelo ao Desfile Cívico Militar, acontece a 20ª edição do "Grito dos Excluídos", organizado pela Arquidiocese de Aracaju e pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), em colaboração com dezenas de movimentos sociais, sindicais, estudantis e de algumas igrejas evangélicas. Mais de 5 mil manifestantes deverão se concentrar a partir das 9h na Praça Olímpio Campos (Centro), em frente à Catedral Metropolitana. De lá, todos seguem em passeata até o desfile da Barão de Maruim, onde seguirão atrás dos pelotões do Colégio Atheneu Sergipense – escola que tradicionalmente encerra a parada oficial.

Para este ano, o tema definido é "Ocupar ruas e praças por liberdades e direitos", que vai relembrar a onda de manifestações deflagradas por todo o país em junho de 2013, por ocasião da Copa das Confederações. De acordo com o arcebispo metropolitano de Aracaju, dom José Palmeira Lessa, estas manifestações trouxeram de volta a importância da manifestação popular nas ruas, nas eleições e no cotidiano, sendo, assim como o "Grito", uma mobilização importante que dá voz às camadas sociais que sofrem a exclusão social sem acesso as mínimas condições de sobrevivência.

Entre as principais reivindicações apresentadas, estão o direito à terra, território e moradia, o fim da criminalização dos pobres e dos movimentos sociais, mais participação popular nas esferas de decisão, democratização da mídia, o fortalecimento da Comissão Nacional da Verdade e o combate a problemas como a fome, o trabalho escravo precarizado, o tráfico de pessoas, a corrupção, o extermínio da juventude negra e à violência contra a mulher.

Campanha eleitoral – Em meio aos dois eventos, a preocupação deste ano é a influência da campanha para as eleições gerais de 5 de outubro. Praticamente todos os candidatos a governador e senador estarão presentes na Barão, levando bandeiras, santinhos e cabos eleitorais. As organizações do Desfile Cívico e do Grito dos Excluídos tomaram medidas para tentar isolar as facções políticas, no sentido de evitar brigas, confrontos e outros incidentes. Já o Grito dos Excluídos, assim como em outras edições, não deverá permitir manifestações de candidatos.

A segurança no entorno da avenida também será feita por outros 300 homens da PM e do Exército, os quais estarão orientados a fazer cumprir a Lei Eleitoral, que entre outras restrições, proíbe a presença de carros de som ligados a partidos ou candidatos. A mesma medida também foi adotada na semana passada, durante o desfile das escolas da rede municipal de ensino, na Rua Bahia, bairro Siqueira Campos (zona oeste).

Já a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) emprega outros 100 agentes para desviar e orientar o trânsito na Avenida Ivo do Prado, entre a Praça Fausto Cardoso e a Avenida Augusto Maynard, e nas 25 ruas e avenidas que cruzam a Barão, até a Praça da Bandeira. Estes trechos a serão bloqueados das 6h e até por volta das 15h, quando a concentração de pessoas deve se dispersar. Neste tempo, as avenidas Hermes Fontes e Pedro Calazans vão receber todo o fluxo de veículos desviados da Barão e da Ivo do Prado, por meio de desvios pelas ruas Itaporanga e José de Faro e pelas avenidas Augusto Maynard e Edézio Vieira de Melo (Explosão).

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