Desvio de merenda causa afastamento de diretora

Milton Alves Júnior

Por decisão do governo de Sergipe, a diretora do Colégio Estadual Antônio Fontes Freitas, em Nossa Senhora do Socorro, foi afastada integralmente das atividades profissionais. A medida foi oficializada no início da manhã de ontem depois que a direção da Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura (Seduc), recebeu sucessivas denúncias indicando suposto desvio de merenda escolar. O compartilhamento destas informações sigilosas começou ainda na semana passada, quando, de imediato, a Seduc anunciou que uma comissão composta por integrantes da Merenda Escolar, da Diretoria de Educação, do Núcleo de Segurança Escolar e do Jurídico da Seduc estiveram na escola para estudar o caso e resguardar a integridade dos servidores.
Essa não foi a primeira vez que o problema foi destaque sobretudo junto aos estudantes e professores. Em 2010 a Justiça Federal recebeu a denúncia feita pelo Ministério Público Federal em Sergipe (MPF/SE) sobre o desvio de 123 toneladas de carne bovina, que seriam entregues às escolas estaduais de Sergipe. O ex-secretário Estadual de Educação Lindbergh de Lucena, a ex-diretora do Departamento de Alimentação Escolar (DAE) Maria Zenaide Santos Aragão e os empresários João Marcelo Santos Silva e Hunaldo de Sá Farias, responsáveis pela MMS – Comércio e Serviços Representações, foram apresentados como responsáveis direto pelo desvio. A apuração ocorreu em 2010, mas com referência ao último ano de gestão do ex-governador João Alves Filho, em 2006. No processo foi destacado que o volume financeiro ultrapassava R$ 1 milhão em verbas federais, oriundas de programas de alimentação escolar do Ministério da Saúde.
Já no ano de 2015 o município sergipano de São Cristóvão se tornou será que nacional após vazamento de informações as quais indicavam que gestores públicos da cidade estavam envolvidos nas tramas para vencer concorrências, onde – a então prefeita Rivanda Batalha -, ganharia até 10% do valor total da oferta. Para o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica do Estado de Sergipe (Sintese), é de fundamental importância que os estudantes, professores, pais e/ou responsáveis pelos alunos, e todos os operadores da Educação pública possam formalizar denúncias que ajudem as forças de investigação a analisar cada indício de crime. Esse trabalho costuma ser inicialmente desenvolvido por peritos da própria Secretaria de Estado da Educação, e, em seguida, por peritos da Polícia Civil, através da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP/SE).

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