Dez números de Cumbuca

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Dez números, apesar de todos os pesares. A edição mais recente da revista Cumbuca começa a circular e ser comentada. De mão em mão, diz que me disse, pouca gente tem oportunidade. Deveria ser diferente. Forma e conteúdo recomendam a divulgação massiva da publicação. Resta saber se os homens da Segrase vão ter peito para assumir o desafio e espalhar a novidade.
Deveriam. Folhear a Cumbuca, publicação bissexta, sem periodicidade muito bem definida, editada com muita manha e perseverança pelo jornalista Amaral Cavalcante, é como dar pasto aos rangidos de uma janela pesada e arejar o ambiente crítico no qual a ideia de uma pretensa sergipanidade ainda se esforça para vingar e se fazer conhecida dos seus próprios. Uma rajada oportuna, informação prenhe de agoras e saudades, traços ligeiros e as interferências dos dias, o lodo do mangue no umbigo de nossa gente.
Não bastasse o conceito por trás do impulso, a primeira publicação de relevo com uma linha editorial enraizada nos valores locais, há ainda um apuro gráfico sem precedentes por essas praias. Para se comer com os olhos. Nenhuma outra publicação local foi tão longe sem arredar o pé do próprio quintal.
O preço de capa não ajuda. A distribuição insuficiente é outra mancada imperdoável. "It’s all business!". No que diz respeito aos méritos editoriais da empreitada, contudo, a Cumbuca é um feito inédito, acima de qualquer ressalva.
Cumbuca nº 10 – A décima edição da revista Cumbuca está na rua. Produzida pela Editora Diário Oficial de Sergipe – Edise, a publicação promove a atividade cultural e une o pensamento daqueles que sempre fizeram cultura, seja divulgando a produção artística e academia ou difundindo idéias.
Nesta edição, a revista apresenta um texto de Virgínia Lúcia F. Menezes que aborda a prática do Teatro de Rua em Sergipe, seguida de cobertura jornalística do projeto Temporada Mariano, evento que movimentou a cena teatral sergipana.

 O leitor também vai se deliciar com um mergulho no texto de Antônio Cruz sobre a obra do artista Tintiliano e ler uma matéria de Luiz Adelmo Soares sobre novos talentos nas artes plásticas que abordam este importante segmento artístico. Na cena musical Ernesto Seidl fala da Banda Ferraro Trio.
 A revista Cumbuca dá continuidade à memória da resistência política à ditadura militar em Sergipe, desta vez, publicando dois depoimentos significativos: o do jornalista Mílton Alves, que relata a luta dos correspondentes de jornais com circulação nacional para denunciarem os sequestros, prisões e torturas que ocorreram durante a Operação Cajueiro, desencadeada por forças federais, e um depoimento do advogado e ativista político Clóvis Barbosa de Melo, sobre o dia em que foi levado a conversar com o ditador Emilio Médice, representando os estudantes sergipanos.

João Augusto Gama faz o relato de um crime ocorrido nas hostes da aristocracia local. A Cumbuca traz texto de Lúcio Antonio Prado Dias apresentando anotações biográficas de Antonio Garcia Filho e Gilfrancisco conta um pouco da história do jornalista e contista Célio Nunes. Já a professora e escritora Núbia Marques é lembrada em artigo de Maruze Reis. Há ainda uma resenha de Wagner Lemos sobre o último livro da escritora Giselda Moraes e poemas do ativista cultural Pedro Bomba. Complementa a edição, uma apreciação crítica de Pedro Varone de Carvalho sobre o filme A pelada e um artigo de Téo Júnior sobre o escritor paranaense Dalton Trevisan.

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