O assédio dos irmãos Amorim ao governador de Pernambuco e presidenciável Eduardo Campos (PSB), na última sexta-feira, quando recebeu o título de cidadão sergipano, mostra que não será fácil a vida do senador Antonio Carlos Valadares no próximo ano. Enquanto Valadares mantém o discurso de que não há nenhum empecilho em montar o palanque de Eduardo em Sergipe e manter a aliança com PT/PMDB e apoiar Jackson Barreto ao governo do Estado, os Amorim se oferecem para montar palanque próprio para o presidenciável numa tentativa de confrontar o senador com a cúpula nacional do PSB.
Eduardo Campos admitiu que não há qualquer problema em Valadares tentar manter a aliança local com PT e PMDB, mas advertiu que não poderá deixar de receber apoios em torno de sua candidatura a presidente. Essa discussão será adiada para o final do primeiro semestre de 2014, às vésperas das convenções partidárias que definirão candidaturas e alianças, mas Valadares poderá ser compelido a lançar um candidato próprio a governador, sob pena de intervenção.
Os Amorim controlam 14 partidos nanicos no Estado, mas padecem de um palanque nacional para fortalecer a candidatura do senador Eduardo (PSC) ao governo do Estado. A situação ficará ainda mais grave se prosperar uma candidatura própria a presidente do Pastor Everaldo, vice-presidente nacional do PSC. Nesse caso, se seguir padrões éticos exigidos, ele ficaria impedido de subir no palanque de partidos com outros presidenciáveis. O PSDB que terá o senador Aécio Neves (MG) como candidato a presidente também poderia ser uma opção, mas esse partido estará alinhado naturalmente ao DEM em torno de João Alves Filho. Por isso o cerco a Eduardo Campos e os insultos diários patrocinados por seus aliados contra o senador Valadares, a começar pelo radialista Gilmar Carvalho, que comanda o principal horário da rede de rádios da família Amorim.
Valadares tenta ignorar os ataques de Amorim e a complexidade da disputa presidencial e garante: "O que eu disse desde o início está de pé. O PSB vai apoiar a candidatura de Jackson Barreto (PMDB) para governador de Sergipe. Não iremos fugir dos nossos compromissos com o povo sergipano".
Com o acirramento da disputa presidencial, principalmente pela opção feita por Campos de ser o contraponto da presidente Dilma, a situação de Valadares poderá ficar mais complicada em relação à aliança com o PT e o PMDB. O ex-deputado federal Pedro Valadares, sobrinho do senador, é hoje um dos principais assessores de Eduardo Campos e buzina o tempo todo em seu ouvido que a opção feita pelo tio em Sergipe é prejudicial a candidatura presidencial. E reforça que o caminho para tentar sair vitorioso no Estado seria forçar uma aliança em torno da candidatura de Eduardo Amorim. Na verdade, Pedrinho trabalha para dar um troco ao tio e inviabilizar a reeleição do deputado federal Valadares Filho, que é seu primo e antigo rival.
Os Valadares, pai e filho, possuem um cabedal de votos em Sergipe que não pode ser desprezado por quem disputa uma eleição majoritária. Jackson Barreto sabe disso, mantém uma boa relação com eles e quer manter a aliança PT/PMDB/PSB em 2014. Em contraponto, Eduardo Amorim teme a força de Valadares em aliança com JB e tenta desgastar a sua imagem encomendando discursos grosseiros de aliados e as patadas de Gilmar e outros radialistas em seus programas de rádio.
Mesmo que Eduardo Campos venha a se transformar no principal rival da campanha pela reeleição da presidente Dilma, Valadares acredita que as posições do PSB nos Estados deverão ser respeitadas pela direção nacional. Ele lembra que em diversos outros Estados, a exemplo de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Alagoas já ficou acertado que o partido não terá candidatos próprios a governador e poderá manter alianças com outras legendas, inclusive PT, PMDB e PSDB. "Cada Estado poderá manter as alianças locais, montando à parte um palanque para reforçar a candidatura de Eduardo Campos a presidente", explica Valadares, que é um dos quadros mais destacados no Senado Federal.
A legislação eleitoral permite que a direção nacional de um partido intervenha nos Estados que não seguirem suas orientações, mas não parece sensato uma medida de força contra uma regional que tem quadros representativos no Senado e Câmara Federal. Até porque, do ponto de vista nacional, Sergipe representa muito pouco no quadro eleitoral e não define nenhuma eleição.


