Disputa entre sindicatos provoca confusão em Socorro

Milton Alves Júnior

Uma suspeita de assembleia fraudulenta acabou em conflito generalizado na manhã de ontem, no Conjunto Marcos Freire I, município de Nossa Senhora do Socorro. Conforme denúncias chegadas à redação do Jornal do Dia, o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Cerâmica do Estado de Sergipe (Sindiceram) estaria publicitando a realização de assembleia extraordinária juntamente com o Sindicato dos Produtores de Vidro, com a perspectiva de transformar as duas categorias em um só sindicato. A fim de acompanhar a legalidade da reunião, escreventes titulares e substitutos do Cartório do 1° Ofício de Socorro estiveram na sede do sindicato, mas foram ordenados pela cúpula administrativa a deixarem o espaço caso desejassem evitar novos embates.

O problema, segundo a direção do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de prospecção, Pesquisa, Extração e Beneficiamento de Minérios e Trabalhadores Portuários com Vínculo Empregatício nos Estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Piauí (Sindimina), é que a atuação funcional dos produtores de vidro operacionalmente corresponde ao departamento de minérios, e nada têm a ver com a cerâmica. Na tentativa de agrupar os trabalhadores de vidro ao Sindicato de Cerâmica, estes dirigentes estariam forjando uma lista de participantes da assembleia, os quais, supostamente, apoiam a união.

Convicto que a reunião seguia no rumo da geração de manobras inconstitucionais, o presidente do Sindimina, José Luismar de Sousa assumiu que a respectiva categoria convidou profissionais do Cartório do 1° Ofício para constatar a falta de quórum necessário para discutir a fundação do duplo sindicato. Ainda de acordo com o líder sindical – assim como ocorreu em situações anteriores, a assembleia registra um número reduzido de participantes, mas a lista surge posteriormente com números os quais variam entre 100 e 200 pessoas.

“Viemos aqui para constatar que este sindicato está querendo a todo custo desvincular profissionais ligados às minas, para filiá-los em um grupo totalmente distinto da função realizada pela classe trabalhadora. Vidro se produz com areia, areia é minério, minério é com o Sindimina e não com o sindicato de cerâmica. Para a nossa surpresa todos nós fomos expulsos por pessoas que querem trabalhar de forma contrária ao que determina a legislação brasileira”, declarou.

“A irregularidade está visível, lá em cima tem poucas pessoas e estão todos sentados no chão porque não tem nem cadeira. Nós viemos aqui para mostrar que esse ideal deles é inaceitável, irregular, e não para provocar tumulto. O que acontece é que eles ficaram surpresos com a nossa presença e estão expulsando de forma covarde – com ameaças de agressão, todos aqueles que podem desarticular o esquema ilícito”, disse. A nossa equipe de jornalismo conseguiu adentrar a sede do Sindicato dos Trabalhadores de Cerâmica e conversou com o presidente Alexandre de Sena. Ao JD, ele garantiu adotar todos os critérios da regularidade e confirmou as ameaças proferidas.

 

Contraponto – Sobre as denúncias atribuídas, o sindicalista informou que todas as obrigatoriedades constitucionais foram respeitadas desde a convocação pessoal, até à publicação de edital no Diário Oficial e jornal de circulação estadual – ocorrido no mês passado aqui no Jornal do dia. “Nós estamos discutindo uma união que interessa a nós produtores de cerâmica e aos produtores de vidro, esses representantes do Sindimina vieram aqui para ocupar a nossa sede e tumultuar. Aqui ninguém que não seja da nossa permissão vai poder acompanhar nossos debates. Eles mandem no sindicato deles, invadir aqui não”, afirmou. Agentes da Polícia Militar foram acionados a fim de minimizar os conflitos e evitar possíveis sinistros.

Diante do cenário de estresse e ameaças mútuas, a guarnição militar orientou a direção do Sindimina a denunciar o caso por meio de Boletim de Ocorrência junto à Polícia Civil. A assembleia não ocorreu e os grupos se dispersaram por volta das 9h30.

Atualmente o Sindiceram é ligado à Força Sindical; já o Sindimina, à Central Única dos Trabalhadores (CUT).

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