Gabriel Damásio
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Os presos durante a "Operação Carnaval Seguro", deflagrada durante quatro dias em Estância (Sul) para cumprir 12 mandados de prisão, integravam duas quadrilhas rivais de traficantes que poderiam deflagrar uma violenta disputa pelos pontos de venda de drogas na cidade durante o Carnaval. Esta foi a conclusão do delegado regional de Estância, André David, que apresentou ontem os detalhes e resultados da ação policial. Ela resultou em três meses de investigação da Polícia Civil e na prisão de nove acusados por tráfico, homicídio e latrocínio, além da apreensão de um adolescente de 17 anos e da morte de quatro suspeitos que entraram em confronto com a polícia.
David explicou que os grupos são responsáveis por alguns assassinatos e atentados a tiros que ocorreram nos últimos meses em Estância. "Vale ressaltar que os suspeitos pertenciam a quadrilhas rivais, fato que elevava os índices de homicídios no município de Estância. Em muitas dessas ações, inocentes acabavam sendo mortos por integrantes desses bandos", resumiu o delegado, destacando a preocupação de que o total de homicídios e a procura por drogas na cidade aumentaria mais durante o carnaval. "Nós sabíamos que a demanda [por drogas] iria aumentar. E eles iriam se digladiar por esta demanda, mais mortes poderiam acontecer, vidas inocentes poderiam ser ceifadas. Por isso, optamos por deflagrar logo a operação", disse.
Os presos foram identificados como: Jademilson Leite Vieira, Márcio Leite Vieira, Renan Vieira Teixeira, Diego Eduardo Brasil Nascimento, André Luiz Conceição Ferreira (apontado como líder de um dos grupos), José Walisson Pereira Santos, Michel dos Santos Caetano, Fábio Silva Santos e Maria Selma dos Santos. Além deles, um adolescente de 17 anos foi apreendido. Dois dos suspeitos foram encontrados armados com uma escopeta em um carro Chevrolet Cruze que estava parado em frente ao Fórum de Estância. O veículo de luxo é avaliado em aproximadamente R$ 50 mil e, de acordo com o delegado, pode ter sido adquirido com dinheiro do tráfico, apesar de ter restrição de furto ou roubo.
Os outros acusados foram capturados em suas próprias residências, nas quais foram apreendidas sete armas de fogo, sendo uma pistola calibre .40, três revólveres calibre 38, dois revólveres calibre 32 e a escopeta calibre 12. A polícia também recolheu um quadriciclo supostamente roubado e uma motoneta, além de munições dos mais diversos calibres e porções de maconha e crack. "Com certeza, essa operação atrapalhou e está atrapalhando ao máximo o tráfico de drogas em Estância, até porque as bases de operação deles [traficantes] foram descobertas e conseguimos tomar veículos e armas que estavam na mão deles", assegurou David.
Durante as diligências, outros quatro suspeitos procurados morreram em dois confrontos ocorridos entre a noite de sábado e a madrugada de domingo. No primeiro, ocorrido no centro de Estância, morreram Wallace dos Santos Ribeiro, o "Walas", 21 anos, e Ismael Conceição Souza, o "Mael", 20. A dupla, segundo a polícia, roubou uma moto na região há oito dias e, durante o assalto, disparou quatro tiros contra a vítima, que conseguiu sobreviver. De acordo com o delegado, os dois estavam armados dentro de um carro e reagiram à abordagem dos policiais, provocando o tiroteio.
O outro embate aconteceu no bairro Matadouro, periferia da cidade, onde foram mortos Everton de Jesus Lima e Anderson de Souza de Santana, o "Peu Tatuador", apontado como líder de outra quadrilha. A polícia também afirma que os dois trocaram tiros com os agentes ao serem seguidos e abordados. "Eles eram acusados de homicídios, tráfico de drogas e latrocínio. Somente o ‘Peu’ era apontado como o autor de cinco assassinatos na região da cidade de Arauá, e, inclusive, a dupla estava vindo para Estância, onde planejava matar um taxista", revelou David.
Para o diretor da Coordenadoria de Polícia Civil do Interior (Copci), delegado Joel Ferreira, a operação seguiu uma orientação do novo secretário da Segurança Pública, Mendonça Prado. "Ele pediu para intensificarmos as operações de repressão ao tráfico e as quadrilhas armadas envolvidas com homicídios em todo o Estado. Há uma preocupação muito grande com os índices de homicídios em Sergipe e nossa meta atual é combater as quadrilhas que praticam este tipo de delito", salientou.


