ECONOMISTA DIZ QUE GOVERNO PODE ATENDER REIVINDICAÇÕES

Cândida Oliveira
candidaoliveira@jornaldodiase.com.br

As manifestações que estão ocorrendo em todo o país, inclusive em Aracaju, cobram não apenas a redução da tarifa de transporte público, mas também transparência e melhores serviços públicos, nos setores da educação, saúde, segurança, entre outros.

Para o economista Luiz Moura, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), as reivindicações das ruas são o básico que o estado organizado deveria oferecer a população. "Saúde, educação, transporte e segurança pública são benefícios que tem investimento graças ao pagamento de impostos realizado pela sociedade, então, ela deve ser ouvida", justificou.

Sobre segurança pública, o economista acredita que apenas investimentos não bastam. "Envolve outras questões, como combate a tráfico de drogas, melhoria do aparato policial. Dessa forma, teríamos uma polícia preventiva e não ostensiva como acontece atualmente. A prevenção também deveria vir das escolas e de casa, porque vemos cada vez mais jovens entrando no mundo das drogas, fato que tem gerado muita violência".

A questão da prevenção vale para o setor da saúde, que hoje é reativa e não preventiva. O que resulta em altos custos, pois envolve exames complexos, muitos medicamentos, entre outras coisas. "O Brasil precisa ter política de saúde preventiva. Com menos recurso, Cuba consegue atender melhor a população. Gasto com saúde pública mais os planos de saúde é uma grande parcela de investimento da população e mesmo assim, não tem funcionado a contento", explicou Luiz.

Para Luiz Moura tem que ser montada uma rede de saúde pública no país, pois não se pode mais permitir que doenças erradicadas em outros países continuem no Brasil, por falta de saneamento básico e educação. "O que se gasta com a dengue não seria necessário, a verba iria para outras áreas", exemplificou.   
Na educação precisamos de professores preparados para a sala de aula e que tenham melhores salários. "A evolução da educação a distância e a informática ajudam, mas o diálogo entre professor e aluno deve existir. Mas esse professor também precisa de investimento".

Transporte público – O transporte público, principal bandeira do Movimento Não Pago, luta para oferecer a população passe livre, no entanto o custo precisa sair de algum local. "Minha sugestão é que poderia haver a taxação do transporte individual. Elevando o valor da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico, que incide sobre o consumo da gasolina. Assim, haveria recurso para subsidiar o transporte coletivo. E essa não é uma novidade, em todo o mundo o transporte coletivo é subsidiado", ressaltou.

Luiz Moura sugeriu que o transporte da população deve ser diversificado. "Aumento das ciclovias, implantação das ações de melhorias do transporte de massa. Um transporte coletivo de qualidade fará o indivíduo deixar seu carro em casa. Claro que nem todos, mas se aumentar o custo do individuo se locomover, fará ele repensar o uso do transporte público. Por exemplo, uma família com quatro pessoas e cada um com um carro gera um trânsito caótico, aumentando o custo, eles repensariam a forma de utilizar o veículo, o resultado seria vias menos congestionadas".

Para Moura falta transparência do sistema de transporte público. "Ir para Salvador saindo de Aracaju, no melhor ônibus, com serviço de bordo custa R$ 100, o que equivale a R$ 3 o quilômetro rodado. Em Aracaju, você circula um quilômetro em um ônibus precário e desconfortável e paga R$2,25", observou.

Ele diz ainda que existem condições de oferecer o que a população está demandando, mas não em curto prazo. Verba também existe "mas não na sua totalidade, pois para mudanças é necessário planejamento, o que leva tempo. O problema é que adiamos muito a resolução dos problemas. Saúde preventiva leva tempo para que seus efeitos sejam sentidos. Educação, também demanda tempo, pois existe a necessidade de capacitar os professores. Se não fizer isso agora, daqui a 30 anos vamos discutir as mesmas coisas", concluiu.

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