EDITORIAL: Sergipe escravagista

O Ministério do Trabalho e Emprego incluiu 155 empregadores na atualização da “Lista Suja”, ano passado

A ausência de pelourinhos em vias públicas, a inexistência de senzalas nas propriedades rurais, podem enganar os incautos e dar a falsa impressão de que o trabalho escravo é página virada, uma chaga histórica plenamente superada. Ledo engano. No Brasil profundo, mesmo nos grandes centros urbanos, muitos trabalhadores ainda vivem sob o julgo da força bruta, ainda que sem correntes e chicotes.
O governo federal atualizou, na segunda-feira (6), a chamada “lista suja”, que reúne os nomes de empregadores flagrados submetendo trabalhadores a condições análogas à escravidão.
Foram adicionados 169 novos empregadores ao cadastro, o que representa um aumento de 6,28% em relação à última atualização. Desse total, 102 são pessoas físicas (patrões) e 67 são empresas (pessoas jurídicas).
Entre os novos nomes incluídos estão o cantor Amado Batista e a montadora chinesa de carros elétricos BYD. Com a atualização, o total de empregadores listados passa a cerca de 613.
O mapa do trabalho escravo é revisado e atualizado regularmente. Em revisão recente, anos atrás, quatro empresas com atuação em território sergipano foram incluídas na lista suja escravagista.
Engana-se, portanto, quem imagina a escravidão muito distante de sua casa. O Ministério do Trabalho e Emprego incluiu 155 empregadores na atualização da “Lista Suja”, ano passado. Desses, 18 foram inseridos em razão da comprovação de trabalho análogo à escravidão em atividades domésticas. A chaga persiste.
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