A decisão de Eliane Aquino, viúva do ex-governador Marcelo Déda, em não assumir a Secretaria de Estado de Inclusão Social, abre uma nova disputa entre os aliados do governador Jackson Barreto (PMDB). Eliane alegou problemas pessoais, como a necessidade de uma atenção maior aos dois filhos menores, para não assumir o cargo.
Eliane Aquino foi secretária da Inclusão Social durante o segundo governo Déda. Ela deixou o cargo apenas em junho do ano passado para participar mais ativamente das campanhas de Jackson e da presidente Dilma Rousseff.
A indicação de Eliane foi feita diretamente por Jackson, sem cota de partido, apesar da sua ligação com o grupo do deputado federal Márcio Macêdo (PT). Com a reforma feita no ano passado, a Secretaria de Inclusão Social foi amplamente fortalecida e recebeu as superintendências de Trabalho, Direitos Humanos, e da Mulher. Antes, estas pastas eram secretarias efetivas.
Sem Eliane, aliados do governador que se sentem desprestigiados na divisão do bolo devem agir para indicar o cargo. Nas primeiras negociações feitas ainda no ano passado, Jackson pensou em nomear para o cargo o deputado estadual eleito Robson Viana (PMDB), dentro do propósito de fortalecer o seu nome para uma eventual disputa da Prefeitura de Aracaju, 2016.
A indicação de Robson ou de outro deputado aliado também abriria espaço para que a deputada Conceição Vieira (PT), que ficou como primeira suplente, pudesse continuar na Assembleia. Como a disputa da Mesa da Assembleia ainda não está fechada, apesar da preferência do governador pelo deputado estadual Luciano Bispo (PMDB), é provável que a escolha do novo secretário passe pela definição da mesa.
Pego de surpresa com a decisão de Eliane, Jackson deve começar hoje mesmo as discussões para a indicação do novo secretário, ao mesmo tempo em que negocia com os deputados a composição da Mesa da Assembleia, cuja eleição será realizada em dois de fevereiro. Por enquanto, ele garante que não tem nada decidido, que vem conversando com todos os deputados que o procuram e fará isso até o dia da eleição. "Não lancei chapa. Ainda não fiz discussão nenhuma. Todos tem buscado conversar conosco, e a gente tem buscado conversar com todos os deputados que vão ao gabinete", garante.
Com uma secretaria do porte da Inclusão Social vaga, além dos cargos de segundo escalão, o foco das discussões sobre a mesa deve mudar, já que o deputado federal Fábio Reis (PMDB), um dos mais próximos ao governador, passou a se sentir incomodado com a possibilidade de a sua tia, deputada Goreti Reis (DEM), vir a ser excluída da chapa do governo na Assembleia Legislativa, por imposição do deputado Gustinho Ribeiro (PSD), adversário da família na política de Lagarto. Gustinho está em campanha para a presidência, mas reconhece que não tem como apresentar chapa sem o aval do governador.
Trocando em miúdos, a decisão de Eliane Aquino pode acabar facilitando as negociações do governador para a formação da Mesa da Assembleia.
Com JB
Em conversa ontem com a coluna Eliane Aquino disse que o governador Jackson Barreto (PMDB) anunciou cedo a sua nomeação para a Secretaria da Mulher, Trabalho, Inclusão Social e Direitos Humanos. Revelou que eles haviam conversado por telefone antes da sua viagem, mas somente ontem conversaram pessoalmente, oportunidade que disse que não tinha condições de assumir a pasta pela necessidade de cuidar dos filhos menores e agradeceu o convite.
Justificativa
"Não poderia ficar no primeiro escalão pelo trabalho que dar. Sou pai e mãe. Matheus precisa de fonoaudióloga, terapia ocupacional, entre outras atividades. Não posso negligenciar. Eu me conheço. Trabalhando no governo a minha atuação com os meninos não podia ficar em 100%. Ficaria de corpo e alma no projeto. Não posso parar a vida pela secretaria. Vou continuar ajudando o governo, ficar por perto, acompanhar os projetos que tocamos para que não deixe acabar. O resto é picuinha", assegura Eliane.
Mais light
A ex-primeira dama do Estado admitiu que na conversa que teve ontem com o governador chegou a falar que gostaria de trabalhar em uma área que não seja "tão de frente" e citou algumas que gostaria de atuar no Estado. "Nessas áreas poderia trabalhar e acompanhar meus filhos, sem qualquer prejuízo", afirmou.
Projeto
De Eliane ao ser questionada sobre o seu projeto hoje: "O meu projeto é ser feliz, cuidar da vida e dos filhos. De um jeito ou de outro vou estar próximo do governo, vou estar trabalhando".
É candidato
O candidato a presidente da Assembleia Legislativa, Gustinho Ribeiro (PSD), garantiu ontem à coluna que não existe nenhuma conversa para que venha a ser candidato à vice na chapa do deputado estadual eleito Luciano Bispo (PMDB), no lugar da deputada estadual reeleita Goretti Reis (DEM), ou venha a disputar a 1º secretaria, pleiteada por Jeferson Andrade (PSD) e Luiz Mitidieri (PSD). "Mantenho minha candidatura a presidente. Faço isso com o aval do governador Jackson Barreto (PMDB)", garantiu.
Otimista
"Tenho conversado com os deputados e estou bem posicionado nesse momento da disputa. Conto com a simpatia da maioria dos deputados", garante Gustinho à coluna.
Nada contra
Com relação à especulação de que teria vetado o nome de Goretti Reis na chapa e que levou a um desabafo do deputado federal reeleito Fábio Reis (PMDB) a se pronunciar nas redes sociais sobre o assunto, o candidato a presidente da Assembleia pelo PSD disse que não tem nada contra a participação da deputada ou qualquer outro parlamentar na chapa. "Até porque quem vai decidir são os colegas e o governador, que é o líder maior do nosso agrupamento", frisou.
Alfinetada
De Gustinho Ribeiro ao ser questionado sobre a reação de Fábio Reis no twitter, que chegou a dizer "Se Goretti não é digna da confiança do Governo, eu também não sou. Esperemos que o jogo sujo do poder não destrua o que foi construído com muito suor, trabalho e sofrimento ao longo desta parceria de 20 anos. Não vamos aceitar imposição de quem quer que seja e não nos renderemos a nenhum tipo de chantagem. Respeito e consideração é o que esperamos": "Não sei o que o motivou a fazer pressão pública junto ao governador".
Ponto de vista
Declarou ainda Gustinho, ao ser questionado sobre o que fará se o governador fizer a opção por Luciano Bispo: "Jackson é um democrata, não vai impor nomes. Acredito nisso. Ele vai escolher o que tiver mais simpatia dos deputados e conseguir construir sua candidatura".
Meio ambiente
Nas entrevistas que concedeu ontem à imprensa – TV Cidade e TV Aperipê – o novo secretário do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, Olivier Chagas, falou do desafio de suceder Genival Nunes. Mas como político que é aceitou o desafio, vem buscando conhecer as atividades da secretaria, seus 107 projetos em andamento e vai trabalhar com todo afinco pelo meio ambiente e pelo desenvolvimento sustentável.
Veja essa…
em peemedebistas insatisfeitos com a indicação do vice-governador Belivaldo Chagas (PSB) para a Casa Civil. Acham difícil tratar de questões políticas "pontuais" com um secretário de outro partido. A história se repete quando o então peemedebista Jorge Alberto era o secretário da Casa Civil do governo Marcelo Déda (PT).
Curtas
Ficou para essa quinta-feira a reunião da Executiva Estadual do PT para tratar de cargos no segundo escalão do governo.
O governador Jackson Barreto, até o momento, só definiu dois nomes do segundo escalão: o de Carlos Melo para a Deso e o de Edgar Mota para o Detran.
Carlos Melo para o Detran foi uma indicação dos deputados estaduais reeleitos do PMDB Zezinho Guimarães e Garibalde Mendonça. Já Edgar Mota a indicação foi do deputado estadual reeleito Jeferson Andrade (PSD)
Falta definir nomes para Codise, Cheop, Cohidro, Sergás, Sergrase, DER, entre outros órgãos.
À coluna chegou a informação que o radialista George Magalhães e sua equipe podem retornar à Mix FM.


