Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Escrevo ao sabor do
vento, por assim di
zer, enquanto ‘Elogio ao amor’, álbum inédito de Nino Karvan, reverbera a toda altura pelos cômodos da casa. Redação freestyle. O texto não passa, portanto, de um arrazoado de impressões emocionadas, no melhor sentido da palavra. Livre, leve, solto, pretendo, talvez, evocar o pasmo essencial abatido pelo esforço repetitivo realizado por todo crítico profissional – um ofício de cínicos.
Na voz de Nino, aliás, o cinismo não se cria. O idealismo sugerido pelo batismo do projeto deriva de uma convicção muito bem assentada sobre a sua própria experiência.
Conversamos, meses atrás, no mesmo estúdio Arapuca onde o registro foi gravado. Lá, como agora, Nino demonstrou como o seu trabalho artístico responde aos apuros enfrentados a cada passo, antes das fórmulas e da forma. Mas esta é uma inferência estritamente racional, sem pulso, não diz nada a respeito da força motriz anterior a cada arpejo, sob a casca de cada verso. Mais das vezes, o raciocínio embota o espírito. Não é esse o propósito do artista. Nem o meu, aqui.
‘Elogio…’ não chega a ser doce, mas flui sem obstáculos, corre como as crianças em espaços abertos, um rio de água clara, sem represa. Ligeiro, fresco, desarmado, honesto. Arrisco-me a dizer que este é o disco mais franco de Nino, o mais feliz.
O novo álbum de Nino Karvan salvou o meu dia, eis o que realmente importa deixar aqui registrado. Tudo o mais é notícia, dado de ficha técnica. A tal serviço prestam-se os releases, sempre exatos, reproduzidos a torto e direito, inteiros, aos pedaços, sob a assinatura vaidosa dos jornalistas de província.
Rian Santos
Escrevo ao sabor do vento, por assim di zer, enquanto ‘Elogio ao amor’, álbum inédito de Nino Karvan, reverbera a toda altura pelos cômodos da casa. Redação freestyle. O texto não passa, portanto, de um arrazoado de impressões emocionadas, no melhor sentido da palavra. Livre, leve, solto, pretendo, talvez, evocar o pasmo essencial abatido pelo esforço repetitivo realizado por todo crítico profissional – um ofício de cínicos.
Na voz de Nino, aliás, o cinismo não se cria. O idealismo sugerido pelo batismo do projeto deriva de uma convicção muito bem assentada sobre a sua própria experiência.
Conversamos, meses atrás, no mesmo estúdio Arapuca onde o registro foi gravado. Lá, como agora, Nino demonstrou como o seu trabalho artístico responde aos apuros enfrentados a cada passo, antes das fórmulas e da forma. Mas esta é uma inferência estritamente racional, sem pulso, não diz nada a respeito da força motriz anterior a cada arpejo, sob a casca de cada verso. Mais das vezes, o raciocínio embota o espírito. Não é esse o propósito do artista. Nem o meu, aqui.
‘Elogio…’ não chega a ser doce, mas flui sem obstáculos, corre como as crianças em espaços abertos, um rio de água clara, sem represa. Ligeiro, fresco, desarmado, honesto. Arrisco-me a dizer que este é o disco mais franco de Nino, o mais feliz.
O novo álbum de Nino Karvan salvou o meu dia, eis o que realmente importa deixar aqui registrado. Tudo o mais é notícia, dado de ficha técnica. A tal serviço prestam-se os releases, sempre exatos, reproduzidos a torto e direito, inteiros, aos pedaços, sob a assinatura vaidosa dos jornalistas de província.