Gabriel Damásio
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A Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA) fala em "crise financeira" para justificar o atraso no anúncio da programação do Réveillon da Orla de Atalaia, que pode até não acontecer, conforme já admitem secretários mais próximos ao prefeito João Alves Filho (DEM). A indefinição sobre o evento, que estava se tornando um programa tradicional de fim-de-ano para sergipanos e turistas, gera criticas cada vez mais irritadas de entidades ligadas aos setores turístico, hoteleiro e de bares e restaurantes.
Os empresários do ramo já começam a prever prejuízos com uma queda de mais de 30% na ocupação dos hotéis e nas vendas, por conta da falta de divulgação do que estaria (ou estará) previsto para a virada do ano em Aracaju. Gerentes e proprietários dos hotéis reclamam que muitos turistas de outros estados perguntam sobre as atrações da festa de Ano Novo e ficam em dúvida – ou simplesmente desistem – no fechamento dos pacotes ou hospedagens, ao saberem que nenhuma atração foi definida. Para o setor, a dúvida faz Aracaju "perder terreno" para capitais como Recife (PE), Salvador (BA) e Maceió (AL), onde a programação de Réveillon foi anunciada com mais antecedência.
O secretário-adjunto de Turismo de Aracaju, Fábio Andrade, disse que a festa de Ano Novo chegou a ser planejada com muita antecedência, mas esbarra em problemas financeiros na PMA, causados pela queda de arrecadação de recursos. Estima-se que os custos com a organização do Réveillon da Orla podem chegar a R$ 1,2 milhão. Segundo ele, isto vem sendo tema de reuniões entre os secretários de Indústria e Comércio, Cultura e Comunicação, mas a palavra final será do prefeito João Alves, ainda afastado para se recuperar de uma cirurgia feita na semana passada em São Paulo (SP).
"Posso dizer que a gente até já tem uma programação pronta, iríamos até fazer na Orla Pôr-do-Sol, trazendo uma novidade. Mas estamos vendo a situação que passa o Município, que não está fácil. O secretário Carlos Batalha [da Secom] foi conversar ontem [quinta-feira] com o prefeito sobre o Réveillon da Orla. Nós já tínhamos discutido isso muito antes, mas a situação financeira está complicada. O prefeito deve anunciar alguma medida a respeito do Réveillon. Prefiro deixar que o prefeito fale disso", disse o adjunto.
Batalha, por sua vez, foi mais explícito quanto à possibilidade de não realização do evento. Além de citar a queda de arrecadação, ele reclamou dos altos cachês cobrados por artistas de renome nacional – justamente os que chamam mais a atenção do público que passa a virada do ano na praia. "A situação é difícil e a Prefeitura não está não está nadando em dinheiro. Estamos às vésperas do pagamento do 13º salário e do próprio salário de dezembro. Há uma queda vertiginosa dos recursos e dos repasses do Fundo de Participação [dos Municípios, FPM], entre outros. Existe também um superfaturamento dos artistas de fora. Gostaríamos até de trazer uma ou duas atrações", alegou o porta-voz, em entrevista à TV Sergipe.
Os secretários da PMA até sugerem que os hotéis de Aracaju façam eventos próprios ou firmem uma parceria com o Município para patrocinar o Réveillon da Atalaia. "Nós, do poder público, temos também que chamar a atenção do setor privado. Quando se fala muito de Réveillon, fala-se muito de Maceió, que hoje faz uma festa muito bonita, que chama a atenção do país inteiro. Lá, tem duas grandes festas com duas grandes atrações, mas elas são particulares, são pacotes que são vendidos pelos hotéis. O Hotel Parque dos Coqueiros, já fez isso e reuniu muita gente. Precisamos pensar nas Parcerias Público-Privadas, para que Aracaju volte a ter esses eventos. Que o Estado e a Prefeitura fomentem esses eventos e que os empresários possam ter lucro com elas", argumentou Andrade.


