EM CRISE, PRESIDENTE DO SERGIPE RENUNCIA

O "barco" rubro está à deriva e pode "fazer água" a qualquer momento. Caso a anunciada renúncia do presidente Genisson Silva se concretize, o time rubro ficará por um bom tempo sem presidente. Isso porque, os cargos de presidente e vice-presidente do conselho estão vagos e precisam de uma prorrogação até fevereiro, para legalizar a situação.

– Não aceitei receber o cargo de presidente do Sergipe, porque o mandato dos cargos de presidente e vice do Conselho Deliberativo se encerraram, não houve eleição. Assim, é necessário que se faça uma reunião para prorrogação desses mandatos até fevereiro, disse Ary Resende.

Ary Resende disse ainda que caso aceitasse o cargo, ficaria impedido de assinar qualquer documento e o próprio presidente atual poderia ser o primeiro a cobrar legalidade. "O Sergipe é grande e eu só lamento que tenha que viver esses momentos. Lamento profundamente. Fatos como esses, só servem para afastar o torcedor dos estádios", disse Ary Resende.  

Mais uma crise – A verdade é que o Sergipe de hoje nos faz lembrar o Confiança das décadas de 80, 90 que só vivia em crise e o time passou dez anos sem titulo. Hoje essa historia se repete no Sergipe. Para alguns "quanto pior melhor". Quem sofre com esses desmandos é o próprio clube e sua imensa torcida.

Uma entrevista do conselheiro rubro e membro do Tribunal de Contas de Sergipe, Reinando Moura, à Radio Liberdade, cobrando prestação de contas do presidente rubro, foi o estopim da crise, que abalou os alicerces rubros, culminando com a provável renúncia de Genisson Silva.

Para Reinaldo Moura há falhas gritantes no planejamento do Sergipe e "do jeito que está o time não vai a lugar nenhum". Reinaldo Moura cobrou a prestação de contas do presidente do Sergipe, especialmente de contratos de patrocínio firmado com a Prefeitura Municipal de Aracaju e a Secretaria de Educação. "Trata-se de recursos públicos e se faz necessária a prestação de contas. A Federação informou que o Confiança prestou contas normalmente, o que não aconteceu com o Sergipe. O clube recebeu cerca de R$ 1 milhão e precisa explicar onde o dinheiro foi aplicado. Não sei nem se sou conselheiro, pois como não há prestação de contras estou sem pagar as mensalidades", denuncia Reinaldo Moura.

– Não quero botar o senhor Genisson para fora do clube. Só quero a prestação de contas. Já fui procurado para isso, mas se ele deixar o clube, à toa o Sergipe não vai ficar.

A renúncia – O presidente rubro não gostou das cobranças e disse que estava a caminho da casa do presidente do CD, Ary Resende, para entregar a carta renúncia. "Conversei com familiares e amigos e eles me aconselharam a sair. Estou no Sergipe para ajudar, para resolver alguns problemas. Se é que estou atrapalhando, reduzo aqui o meu mandato. Tem muita gente boicotando e tomando decisões para nos prejudicar. Entrei no futebol para fazer amigos, não para fazer inimizades. Saio com a cabeça erguida do dever cumprido e de que fiz o melhor para o clube", se defende o presidente.

Mas Genisson Silva destaca a sua atuação em prol da reabilitação do Sergipe, ele diz que pegou o clube com dois meses e meio de salários atrasados, endividado, sem direito a contratar com órgãos públicos e na ultima posição no campeonato estadual.

– Peguei um clube endividado e dei a ele credibilidade na praça, sendo um dos poucos clubes com certidão negativa. Paguei muitas dívidas aqui e arrumei a casa, com a ajuda de outros amigos. Para começar pela prestação de contas. Onde o estava o conselheiro Reinaldo, quando Sergipe recebeu mais de RS 1 milhão e não se sabe onde aplicou. Onde estava ele. A prestação de contas foi efetivada, mas ele não estava presente, defende-se o presidente.

O presidente fala em ética e cita uma reunião que houve em um hotel da cidade para tirá-lo da presidência
 Depois da derrota para o São Domingos. "Ali eles pensaram que o Sergipe seria rebaixado, mas não foi. Reinaldo Moura disse que recebemos R$ 1 milhão. Na verdade recebemos mais do que isso. Mas o dinheiro foi aplicado no pagamento de dívidas e no time. futebol é um produto caro. Só para se ter uma idéia, em um mês chegamos a gastar mais R$ 250 mil. Repito, futebol é caro".

O contra-ataque – Além de se defender e revelar algumas nuances desconhecidas do torcedor, agora o presidente parte para o ataque. "Ele faz essa cobrança de prestação de contras, porque fizemos com o dinheiro do Sergipe, o que era para se fazer e não o que ele me pediu para fazer. O que ele pediu para fazer, se forçar muito eu venho a público dizer. O dinheiro do Sergipe foi aplicado dentro do Sergipe. A perseguição é tão grande, que desde o dia que perdemos para o São Domingos, ele usou do seu cargo de Conselheiro e o dinheiro para sair da prefeitura demorou a sair. Eu tive que ir pessoalmente pedir ao prefeito. Ele sabe que eu não assinei convenio com a prefeitura. Foi um contrato de patrocínio", desabafou no presidente.

– Essa presepada só existe em Aracaju. Essa turminha aí já foi pedir ao fornecedor de material para cancelar o contrato. Já fizemos gestão com o novo prefeito e já foram pedir para não dar o patrocínio. Já foram pedir para o Bane se não renovar. São esses os torcedores do Sergipe. Quando eu assumi o Sergipe, queriam vender o posto e o estádio. Eu vim para o Sergipe para recuperar como recuperei. Eu vim para o Sergipe para dar credibilidade ao clube. Enquanto essas forças ocultas assim agirem, o Sergipe não vai à frente. "A partir do momento que a minha presença pode causar um prejuízo, meu amor ao Sergipe é muito maior, para viver em guerra com Reinaldo Moura debatendo através de microfones", disse Genisson Silva.

No final da tarde a reportagem do Jornal do Dia foi informada que a equipe não ficaria à deriva. Uma junta governativa deve assumir o comando do Sergipe, regularizar a situação do Conselho Deliberativo até fevereiro e no próximo ano promover eleição regulamentar.

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