Gabriel Damásio
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Mais um crime de execução aconteceu ontem em Aracaju e ficou marcado pela violência empregada por assassinos armados. Por volta das 7h45 de ontem, o empresário Júlio Pereira de Souza, o "Júnior do Gesso", 38 anos, foi assassinado dentro de uma fábrica de gesso de sua propriedade, na Rua Florianópolis, bairro América (zona oeste de Aracaju). Segundo a polícia, o crime foi cometido por pelo menos dois homens que dispararam mais de 15 tiros dentro da fábrica. Júlio foi atingido na cabeça e na nuca por pelo menos oito disparos.
Era o início do expediente quando os assassinos chegaram ao estabelecimento em um carro Honda Civic de cor prata. Segundo testemunhas, o condutor parou na frente da fábrica e ficou no carro esperando os comparsas, que desceram e, sem nada dizer, abriram fogo contra Júlio. Em seguida, os matadores voltaram para o carro e fugiram, sem nada levar da fábrica. Um funcionário da firma levou um tiro na perna e foi socorrido ao Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). Outros funcionários que estavam no local conseguiram escapar dos tiros. O empresário, por sua vez, morreu na hora.
O crime logo atraiu vizinhos, curiosos, policiais e parentes da vítima. Estes levantaram uma forte suspeita: a de que Júlio teria sido vítima de um "acerto de contas" envolvendo a negociação de uma pistola calibre 380. Esta arma teria sido a mesma usada anteontem no ataque a tiros contra dois irmãos chaveiros que faziam ponto na Avenida Mário Jorge, na Coroa do Meio (zona sul). Um deles, Anderson de Jesus Santos, 22, morreu e foi sepultado ontem. O outro, Mário de Jesus Santos, 25, continua internado no Huse, em situação estável.
O tio do empresário, Edvaldo Oliveira, falou sobre o assunto ainda na fábrica de gesso, enquanto o corpo era examinado por peritos da Força Nacional de Segurança. Segundo ele, Júlio teria comprado a pistola 380 de um suposto policial militar que teria aparecido na fábrica há cinco meses e a oferecido. No dia seguinte, diante da reprovação da família, o empresário repassou a pistola para outro comprador, ao preço de R$ 3.500. Ainda de acordo com Edvaldo, este policial voltou a procurar a vítima ontem, tentando recuperar a arma, mas ela foi achada com um dos atiradores do crime da Coroa do Meio e apreendida pela Polícia Militar.
"Ontem, esse rapaz que vendeu a pistola esteve na casa dele [Júlio] mais outro cara, perguntou pela arma e disse que [a apreensão da arma] ‘não iria ficar assim’. E Júlio ainda disse: ‘Rapaz, você não me disse que a pistola não podia vender (sic) ou deixar de vender. E eu negociei’. Ele não tinha interesse de ficar com a arma. E depois ele me procurou em casa, até imaginando que podia chegar alguma intimação da delegacia ou outra situação", disse o tio, lembrando que prometeu acompanhá-lo na polícia caso fosse chamado. "Acredito que isso foi feito pelas pessoas que venderam essa pistola, por causa desse crime do chaveiro", suspeita Edvaldo, disposto a repassar estas informações à polícia.
Apesar das informações sobre a suposta negociação com a pistola, Edvaldo assegura que o sobrinho não tinha nenhuma inimizade ou envolvimento com problemas mais sérios. "Ele não tem problema com ninguém, Ia do trabalho para a casa e para a família dele. Não tem vício de bebida nem de droga. O vício dele era criar passarinho e os filhos dele", lamentou.
A história da arma e esta ligação entre as mortes de Anderson e "Júnior do Gesso" ainda não são oficialmente confirmadas pela polícia. A diretora do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegada Thereza Simony Nunes Silva, ainda não há indícios precisos que confirmem tais informações, mas elas já começaram a ser apuradas pelas equipes que investigam os crimes – e que alguns depoimentos já foram ouvidos neste sentido.
Procurado – Ainda sobre o crime dos chaveiros, a polícia ainda procura por um dos autores do ataque, que fugiu da Coroa do Meio depois de ser possivelmente atingido por um dos tiros disparados por um soldado da PM que estava de folga e tentou prendê-lo. Ele escapou dirigindo uma moto vermelha e não foi encontrado até o fechamento desta edição. O suspeito que estava com ele, Platiniones Barbosa Santos, 26, continua internado em estado grave na UTI do Huse, pois levou um tiro na cabeça.


