Empresários tentam ampliar vendas

O cenário ruim do comércio é admitido pelo superintendente da Fecomércio, Alexandre Wendell, que o atribui à queda da confiança dos consumidores, provocada pela crise política e econômica. Ele explica que o próprio setor tem buscado reagir, através de iniciativas como o ‘Liquidaju’, uma grande semana de promoções realizada em parceria com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), e o ‘Feirão do Limpa-Nome’, onde as principais empresas negociaram as dívidas de mais de 6 mil consumidores.
"Nós estamos fazendo um esforço muito grande e necessário para tentar alavancar as vendas. Através destas iniciativas, nós tentamos passar mais confiança aos consumidores, para que eles voltem a comprar e investir. Acredito que tem faltado confiança nas pessoas e nas empresas, porque no momento falta alguém que esteja firme no comando do país, para dar as diretrizes, conduzir a política econômica e fazer as coisas convergirem para um rumo certo. Se falta esse alguém no comando, não há essa confiança. Isso não atrai os investidores e os consumidores se retraem", explicou Wendell. Ele cita ainda fatores que atrapalham muito o funcionamento das firmas: os juros bancários, a burocracia no funcionamento das empresas e a alta carga tributária.
"Os juros cobrados pelos bancos são hoje de 14%, os mais altos do mundo, e impedem qualquer capacidade de investimento e de consumo. Por outro lado, você tem a carga de impostos lá em cima. O produto já chega no mercado com 50% ou 60% só de imposto embutido no preço", resumiu Alexandre, acreditando que o cenário pode piorar com as possíveis medidas de ajuste fiscal anunciadas nesta sexta-feira pelo novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, como corte de despesas, reforma trabalhista e diminuição dos incentivos fiscais. "As medidas propostas pelo governo são necessárias, mas o povo terá que apertar mais o cinto, e com certeza, a situação vai apertar mais para o empresário também", prevê.
Ainda segundo Alexandre, as entidades empresariais do Estado, incluindo a Fecomércio, aguardam ainda a resposta para um documento que foi entregue há dois meses ao governador Jackson Barreto (PMDB). Nele, são apresentadas propostas do setor para ajudar a retomada do crescimento econômico em Sergipe, incluindo a qualificação da mão-de-obra local, a prioridade de compra para empresas sergipanas em licitações públicas do Governo e mais incentivos para a criação de empregos no Estado. A previsão é de que Jackson estude as sugestões com sua equipe econômica e marque uma nova audiência com os empresários. "Não basta só o governo decidir. Nós queremos participar, discutir, dar sugestões, propor caminhos e parcerias para sairmos juntos dessa situação", definiu Wendell.

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