Entidades convocam seleção de 11 defensores de direitos humanos durante a Copa

Em alusão à Copa do Mundo, organizações não governamentais lançaram uma campanha para chamar a atenção para o trabalho de onze brasileiros que defendem direitos fundamentais e que, por isso, têm suas vidas em risco e são criminalizadas.
A iniciativa, batizada de "Linha de Frente: Defensores de Direitos Humanos", tem como objetivo "sensibilizar a opinião pública a respeito das sistemáticas violações de direitos no país do futebol".
"É uma situação gravíssima a condição de vulnerabilidade, de ameaça e de violência em que muitos defensores se encontram ainda hoje", disse a assessora jurídica da organização Terra de Direitos, Luciana Pivato.  Ela destaca que essa realidade está em conflito com a posição assumida pelo Estado brasileiro, que é signatário de diversos tratados e convenções internacionais de Direitos Humanos.
A seleção de defensores dos direitos humanos que encabeça a campanha é formada por pessoas que lutam por avanços nas áreas de meio ambiente, acesso à terra, diversidade sexual, na defesa de populações indígenas, entre outras questões sociais. A organização, composta também pela Justiça Global e pela Front Line Defenders, avalia que essas pessoas, em vez de serem reconhecidos por esse trabalho, são perseguidas por empresas e pelo próprio Estado.
O cacique Ládio Veron, da etnia Guarani-Kaiowá, faz parte do time da campanha e representa a luta pela demarcação do território indígena em Mato Grosso do Sul. "Há anos estamos lutando e há anos estamos perdendo as nossas lideranças. Hoje estamos batalhando para sobreviver e às vezes até fugindo por causa das ameaças", relatou.
Ele destacou que, de 2003 a 2012, 287 líderes indígenas foram mortos no processo de retomada de terras. Umas dessas pessoas foi o pai do cacique, assassinado há 11 anos. "E quem matou está impune", apontou.

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