Entrevista JD | Rogério atribui fome e desemprego à inércia do governo Belivaldo Chagas

Na contagem regressiva para as eleições 2022, a partir de hoje o JORNAL DO DIA começa a entrevistar os candidatos ao governo do estado de Sergipe.

Milton Alves Júnior

Na contagem regressiva para as eleições 2022, a partir de hoje o JORNAL DO DIA começa a entrevistar os candidatos ao governo do estado de Sergipe. Os temas a serem abordados envolvem, sempre, as pastas da saúde, educação, economia, segurança pública, meio ambiente, rodovias, turismo, relações institucionais e transparência pública. O médico e senador Rogério Carvalho, candidato do PT a governador, abre a sequência de entrevistas.
Ele atribui a escalada da fome, da miséria e do desemprego no estado à “inércia da atual gestão estadual”.

JORNAL DO DIA – O estado de Sergipe ocupa hoje, proporcionalmente, a quarta pior marca de desemprego do país. São 14,9% de sergipanos sem ocupação trabalhista. Esse índice representa 169 mil pessoas em busca de oportunidade. Caso seja eleito, de qual forma será possível mudar essa realidade?

ROGÉRIO CARVALHO – Temos como prioridade as ações que focam no desenvolvimento econômico para tirar o estado da paralisia que se encontra. Para isso, temos conversado com os sergipanos e sergipanas e todos me relatam que têm passado muitas dificuldades para colocar comida na mesa dos filhos. E isso tem relação com a escalada da fome e da pobreza que Sergipe vive diante da inércia da atual gestão. Essa é a pauta mais urgente a ser enfrentada no momento. É imprescindível o retorno das atividades da Petrobras, além da exploração da carnalita, criação de um novo gasoduto na região de Japaratuba para abastecer as nossas indústrias e um novo terminal, como o Tecarmo, para estimular a criação de novas fábricas de fertilizantes, e gerando cerca de 15 mil empregos diretos. Temos grande potencial na carcinicultura, piscicultura, e possibilidades de investir e transformar o milho em proteína animal, gerando desenvolvimento de granjas suínas e de aves, através de investimentos em tecnologia e capacitação, com a criação de agroindústrias em diversas regiões do estado, bem como desenvolver o modelo de pequenos laticínios.

JORNAL DO DIA – Neste ano de 2022 o Samu completou 20 anos de atuação em Sergipe. Pensando no futuro e assistência especializada destinada à população, o que será feito para ampliar o serviço geral de saúde nos 75 municípios sergipanos?

ROGÉRIO CARVALHO – Para resolver a problemática, além de fortalecer o Samu, vamos criar Centros de Diagnósticos Terapêuticos nas principais regiões, fortalecer a Atenção Primária em Saúde (APS), implementar o monitoramento e avaliação para o acompanhamento dos processos de trabalho da gestão em saúde e criar espaços de gestão coletiva através do encontro sistemático e permanente entre as equipes que fazem o cuidado de todas as redes assistenciais, resgatando-a como principal porta de entrada do usuário no SUS, ordenadora das redes de atenção à saúde e coordenadora do cuidado, além de resgatar e qualificar o apoio técnico e institucional aos gestores municipais, em todos os níveis de gestão e atenção no âmbito do SUS Sergipe. Defendemos como imprescindível resolver a situação da fila das cirurgias. Temos o compromisso de, nos primeiros seis meses, zerarmos as filas dos procedimentos eletivos, porque a vida é o bem mais precioso que a gente tem. Quando fui secretário de Estado da Saúde, zerei a fila de dois anos em seis meses. Buscaremos, ainda, a reestruturação do processo de trabalho do Centro de Assistência à Saúde de Sergipe (CASE) e a implementação da Política de Saúde Bucal do Estado, ampliando a oferta dos serviços de especialidades odontológicas em todos os níveis de complexidade.

JORNAL DO DIA – Diante da possibilidade de o ex-presidente do Brasil Luís Inácio Lula da Silva ser eleito, o senhor avalia que essa dobradinha Sergipe/Brasil pode ser positiva para o progresso do nosso estado?

ROGÉRIO CARVALHO – Muito mais do que positiva. Essa dobradinha é necessária. E é o que Sergipe, realmente, precisa. Recentemente, tive uma conversa com o presidente Lula e, nela, fiz três pedidos especiais: reativar a Petrobras aqui em Sergipe, fazer a conclusão das obras da BR-101 e BR-235, e reativar a exploração da carnalita. Isso significa receita para a retomada da economia com geração de emprego e renda. Lula sempre representou a unidade e a construção da luta popular dos mais diversos segmentos da sociedade. E, quando se tornou presidente, influenciou o mundo inteiro. O Brasil e Sergipe já viveram o desenvolvimento econômico com a inclusão social, como o Presidente Lula mostrou que é possível fazer. Todos os desafios que estamos passando agora serão enfrentados um a um e serão superados.

JORNAL DO DIA – Há décadas dois grandes problemas seguem impactando a vida de milhares de sergipanos. São eles: as condições das estradas estaduais e rodovias federais, bem como o setor do turismo. Obtendo êxito nas urnas, qual a sua perspectiva para estes dois seguimentos?

ROGÉRIO CARVALHO – Em nosso planejamento, temos investimentos em infraestruturas produtivas que adequarão nossa rede de transporte, com manutenção e recuperação de estradas, rodovias e vicinais. Nesse aspecto, vamos manter as principais rodovias turísticas em ótimas condições de tráfego e, através da interveniência junto ao Governo Federal, teremos a conclusão da duplicação da BR-101 Norte, renovação e ampliação da sinalização turísticas das rodovias. Sabemos como fazer isso porque, veja, os R$ 200 milhões que o Estado conseguiu recentemente para reestruturar as estradas foi com a nossa articulação. Também vamos trabalhar na construção do anel viário de Lagarto, levando uma grande obra de infraestrutura que contribuirá, significativamente, com o escoamento da nossa produção agrícola e melhor fluidez no trânsito daquela importante região. Também vamos retomar, efetivamente, as obras da Rodovia Itabaiana/Itaporanga, que se encontra parada, além de melhorar a infraestrutura nas cidades receptoras, com manutenção das principais rodovias turísticas e conclusão da duplicação da BR-101 no seu trecho Norte, com manutenção das principais rodovias de acesso.

JORNAL DO DIA – Dados oficiais emitidos pelo Ministério da Educação mostram que a gestão do ex-presidente Lula foi responsável por impulsionar número de instituições de ensino. Qual o seu plano para o campo da Educação pública, bem como para os mais de 20 mil professores?

ROGÉRIO CARVALHO – Se a gente quer mesmo uma juventude potente, poderosa, a gente precisa investir em escola. E o transporte dos alunos se relaciona diretamente a isso. Porque sabemos que o problema do transporte dos estudantes não envolve apenas as condições dos veículos, mas o valor pago. O foco das ações envolve, também, aqueles que atuam nos anos iniciais do Ensino Fundamental com foco nos trabalhos de alfabetização e letramento, e, com isso, formular e executar política de formação continuada para os trabalhadores do Ensino. Já temos o Atheneu Sergipense como uma referência, e por que não expandir este modelo de escola nos quatro cantos de Sergipe?
Nossas propostas visam objetivar a qualidade e a diversidade do processo ensino-aprendizagem com a utilização e o acesso à tecnologia, e o incentivo à produção cultural, científica e artística. Sou professor, e sei dos desafios da lida diária, vamos fomentar a valorização dos profissionais de ensino, garantindo ações para o reconhecimento da categoria. O primeiro passo é o cumprimento da lei nacional de piso, com a manutenção do abono salarial até nova estruturação da carreira do magistério.

JORNAL DO DIA – No campo da comunicação e acesso às informações públicas, o atual governo centralizou a comunicação social e extinguiu a Secretaria de Estado da Comunicação (Secom). O que será feito nesta área em caso de vitória?

ROGÉRIO CARVALHO – Temos como meta pontos necessários, como: garantir, ampliar e monitorar o livre exercício de comunicação; combater permanentemente as fake news sistemáticas, principalmente as coordenadas por grupos políticos através de inteligência de redes; ampliar a participação Popular Direta: fazer uso, por exemplo, de plebiscitos e audiências qualificadas; e compreender em cada política pública as variáveis de representação dos sujeitos a partir da sua orientação sexual, etnia, religião, raça, sexo e faixa etária. Defendemos, ainda, a implantação do Orçamento Participativo, em todos os níveis, interseccionado por conferências setoriais e temáticas, como um espaço público estratégico, inclusive com matérias e pautas pactuadas e deliberativas com os governos democraticamente eleitos. Esta iniciativa permite uma participação inovadora para a cidadania e controle social e democrático sobre o orçamento e demais políticas públicas.

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