Rômulo Rodrigues
Nessa segunda feira 17 de abril de 2023 completou 7 anos daquela tarde fatídica de um domingo chuvoso de 2016, quando a militância esteve presente nos Arcos de Atalaia para acompanhar a grande farsa da votação para permissão de abertura do processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff, quando 367 deputados e deputadas federais votaram a favor, 137 votaram contra e 7 se abstiveram, o que, em tese, somavam com os contra.
A proposta criminosa precisava de 343 votos para seguir em frente e ultrapassou a barreira da traição à pátria com um excedente de 25 votos, abrido a porteira para mais um Golpe de Estado com a participação de sempre; forças armadas, judiciário, mídia, todos oscorruptos da casa e mais alguns que se renderam à pressão ou foram obrigados por suas direções.
O golpe foi contra uma mulher e muitas mulheres votaram a favor; foi dito que era contra corrupção e todos os corruptos e as corruptas que estavam lá, votaram a favor de cassar uma mulher que sabiam que era honesta.
O golpe foi dado e justificado como sendo uma ponte para o futuro e o futuro virou inferno, com a defesa pública de um monstro da tortura, com a destruição de todas as riquezas e com a importação das lições americanas de chacinas nas escolas.
O que estava em jogo naquele momento não era o afastamento de uma mulher do mais alto posto da República, reeleita democraticamente; era a soberania nacional vilipendiada e traída por quem tinha obrigação de defendê-la.
Quatro anos antes, esteve no Brasil o então vice-presidente dos EUA, Joe Biden, que veio fazer lobby em favor das empresas de petróleo de lá, querendo impor suas participações nos lucros do Pré-sal.
A resposta de Dilma Rousseff o assustou. Foi um sonoro não, acrescentando que já estava decidido que o que ele queria para as poderosas petroleiras do seu País, já tinha destino certo; 75% para a educação e 25% para a saúde do povo brasileiro, dono da Petrobras.
O gringo engoliu em seco, mas não deixou barato. Chamou num canto o homem mais rico do País, tiveram uma conversa de pé de orelha elogo começaram as manifestações de junho com a galera querendo passe livre nos ônibus e metrôs, negando os partidos políticos e vendo passivamente os Black Bloc, liderados por um suposto capitão do exército barbudo quebrando vidraças de lojas e bancos, sem serem incomodados.
No ano seguinte, após o enigmático fracasso do Brasil na copa do mundo, Dilma recebe em Fortaleza, CE, os primeiros mandatários da Rússia, Índia, China e África do Sul, fundam o grupo BRICS e o Banco BRICS e os EUA revidaram idealizando e preparando o golpe que aconteceu em 31 de agosto de 2016.
Desde 2013 que a quadrilha de Curitiba já estava se formando para atacar em massa o PT, seus dirigentes e sair à caça da cereja do bolo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, num roteiro já bem conhecido, com as coincidências de que em 2014 um movimento incentivado pelos EUA, derrubou o presidente da Ucrânia e 5 anos depois elegeu o comediante Volodymyr Zelensky presidente.
A sequência bem conhecida dos acontecimentos, sempre com as digitais de Joe Biden, foi a eleição de Jair Bolsonaro em 2018 no Brasil e Zelensky na Ucrânia em 2019. A metodologia e as armas de fake news e disparos de robôs, comandada por Steve Bannon, fizeram dois insignificantes atores que negavam a política e os partidos políticos vencerem as eleições com pregações fascistas e contra a democracia.
No Brasil o discurso era contra o PT e na Ucrânia contra Rússia. Mas, enquanto o Departamento de Estado dos EUA na sua ganância de dominar o mundo a qualquer custo, o velho Jimmy Carter, com 92 anos, advertia: A China caminha a passos largos para exercer seu domínio sem disparar um único tiro e sem declarar guerra a nenhum País; e na diplomacia vai destronar os EUA. E é o que o mundo ocidental está vendo e ciscando e dizendo para Biden: E agora José? Traduzindo, Joe?
Para salvação da paz no mundo, o Brasil voltou e a ida de Lula à China e aos Emirados Árabes são as grandes vitrines. Com a China, contratos de investimentos de R$ 50 bilhões e com os Emirados, 12,5 bilhões.
Na geopolítica, consolidação de negócios com um mercado que representa 40% da população do mundo e 25% do PIB de todo o planeta, com a perspectiva de as moedas locais, via Banco do BRICS, abalarem a hegemonia do Dólar que é quem financia guerra no mundo.
Para ter certeza de que os discursos de Lula representam um novo papel para o Brasil na agendo mundial, é bastante ver os desesperos raivosos dos jornais O Globo, Estadão e Folha de S. Paulo. Se eles estão espumando de raiva, é sinal que Lula acertou em cheio.
Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político


