Milton Alves Júnior
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Na manhã de ontem foram reiniciadas as atividades educacionais na Escola Estadual Augusto Ferraz, bairro Industrial, em Aracaju. Após dois dias com as aulas canceladas devido ao tiro que atingiu um professor de Educação Física na noite da última segunda-feira, 01, o clima ainda era de muita preocupação por parte dos funcionários, pais e alunos. Na tentativa de esquecer os momentos de aflição, a Secretaria de Estado da Educação (Seed) desenvolveu na última quarta-feira, 03, uma reunião com docentes da instituição e uma psicóloga especialista que atua em escolas públicas.
Apesar de muitos participantes não estarem na escola no momento da ocorrência, a profissional de saúde Elenrose Paesante, responsável por conduzir o encontro dos professores, disse que a negatividade do problema contribui diretamente para que todos permaneçam se sentindo vulneráveis a protagonizar momentos semelhantes ao recém-noticiado. Para ela, a meta é tentar aos poucos fazer com que a rotina na instituição volte ao normal. "Nesse momento é comum que os profissionais e estudantes apresentem sintomas pós-traumáticos e a escola terá que ser flexível para lidar com isso. Com paciência, juntos iremos vencer esse medo", disse.
De acordo com a diretora da escola, Kátia Virginia dos Santos, muitos docentes já informaram que buscaram auxílio médico, extra governamental, para tentar esquecer o fato. Esse é o caso da docente Maria Pureza que ministrava aula no dia do episódio e buscou fazer exames cardiológicos. "Infelizmente depois do ocorrido muitos funcionários se mostraram preocupados com a insegurança e já até buscaram assistência médica em diversos tipos de exames. Com muita fé e perseverança vamos trabalhar intensamente para apagar esse fato lamentável da nossa memória", afirmou. Ao todo, cerca de 20 docentes que diariamente atuam no turno da noite participaram da reunião.
Ainda de acordo com a diretora, assim que a polícia concluir o inquérito investigativo, a direção da escola dará início a um processo de sindicância para que os estudantes sejam transferidos para outras instituições. "Não seria interessante para o nosso grupo a presença desses dois adolescentes que se envolveram em uma briga e que acabou ocasionando essa ocorrência com o professor Edilson de Oliveira Silva", pontuou. Com um quadro clínico estável, o professor vitimado permanece internado no Hospital São José a pedidos da família.
Depoimento – Está marcado para a próxima segunda-feira, 08, o depoimento de um dos adolescentes de 16 anos que participou da confusão. "Espero que o acusado possa contribuir com o trabalho de investigação da polícia. Caso contrário, o inquérito pode demorar um pouco pra sair, mas a verdade será divulgada o mais breve possível. A meta é informar a todos o real motivo que contribuiu para quase tirar a vida do educador", afirmou ao JORNAL DO DIA o delegado responsável pelo caso, Marcos Passos.


