Milton Alves Júnior
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Pela oitava vez em menos de um ano a Escola Municipal José Airton de Andrade, sitiada no bairro Ponto Novo, foi invadida por marginais que subtraíram produtos de limpeza e materiais didáticos utilizados pelos estudantes. Sem vigilante e com uma ronda precária promovida pela Guarda Municipal de Aracaju, a instituição de ensino tem se tornado alvo ‘fácil’ para a ação dos meliantes que na maioria das oportunidades não se mostram intimidados com a presença dos moradores da região. Com medo de sofrer represálias, a comunidade prefere se calar sobre o assunto, enquanto a direção escolar clama por atuação mais representativa por parte da Secretaria Municipal da Educação (Semed).
Vulneráveis para outras invasões, os professores e coordenadores da escola optaram por suspender as aulas enquanto a Prefeitura de Aracaju não atende ao pedido de qualificação imediata da estrutura física, além da contratação de vigilantes. Paralelo à falta de medidas no local, outro problema tem causado visível retrocesso no espaço. Isso porque a Escola Municipal Tancredo Neves também divide a mesma estrutura devido ao prédio oficial da José Airton de Andrade estar passando por reforma. Na avaliação da diretora Wênia Santos, faltam medidas efetivas de segurança que intercedam os responsáveis pelos atos, e ajudem a acabar com as sucessivas perdas patrimoniais.
"Estamos reféns dos bandidos que invadem a escola, roubam tudo o que veem pela frente e quando se preparam para deixar a escola ainda, por simples desejo de perturbar, acabam fazendo vandalismo. Quebram cadeiras, mesas, jogam papel higiênico por tudo que é lado, espalham produtos de limpeza pelos corredores. Sinceramente não sabemos mais o que fazer. As poucas rondas da Guarda Municipal não intimidam os responsáveis por esse tipo de ação marginalizada", lamentou a professora. Em situações anteriores as escolas perderam produtos de suma importância para os estudantes. Entre essas baixas estão computadores, impressoras, data show, quadros, livros, aparelhos de sonorização e ar-condicionado.
Visivelmente preocupada com o futuro das unidades, em especial com a sequência dos dias letivos, Wênia Santos alerta as autoridades municipais para possíveis furtos a serem realizados no depósito de alimentos utilizados na merenda escolar. A gestora informa que ainda essa perda não foi contabilizada porque tem ‘escondido’ os alimentos em uma área ‘secreta’, a qual ainda não foi identificada pelos invasores. "Não sei até quando eles (alimentos) vão durar porque eles rodam isso tudo aqui atrás de produtos lucrativos. Se a merenda ainda é servida aqui e não foi roubada é porque nós escondemos bem escondida. Precisamos de ação rápida da Guarda e da Semed", avisou.
Sobre este assunto, a Secretaria de Educação confirmou os atos registrados em Boletim de Ocorrência, e pede o apoio dos moradores para que possam compartilhar informações que possam ajudar a polícia a identificar os responsáveis. Segundo Pedro Rocha, assessor de comunicação da pasta, na manhã de ontem a direção da Secretaria de Educação participou de uma reunião com o comando da Guarda Municipal a fim de encontrar solução para o caso. Após o encontro ficou definido que a GMA disponibilizará um efetivo maior para realizar rondas na localidade do Ponto Novo, e que também esperam o apoio dos moradores.
"Temos que trabalhar em conjunto com a população para que possamos acabar com essa falta de respeito com o futuro das nossas crianças. A Secretaria de Educação tem buscado reparar essas situações e a Guarda Municipal, na figura do coronel Enilson Aragão tem colaborado com o nosso projeto de combate aos invasores", afirmou o comunicador. Em relato surpreendente, Rocha concluiu dizendo: "infelizmente recebemos denúncias de que pais de alunos estão entre os envolvidos nesses roubos. Obviamente não podemos garantir que essas informações são verídicas, mas também não podemos descartar. Tudo que chega a nós é repassado para o setor de investigação da GMA".
Ação igualitária – Durante o último final de semana a Polícia Militar de Sergipe trocou tiros com três elementos acusados de praticar arrastão em uma escola estadual no município de Umbaúba. Ao anunciar a ordem para abordagem, os três revidaram com disparos, e os agentes militares iniciaram uma sucessiva troca de tiros. No confronto os três foram atingidos, encaminhados para o hospital municipal, mas não resistiram aos ferimentos. Com eles foram encontradas três armas de fogo com numeração raspada, além de 21 aparelhos telefônicos, possivelmente oriundos do arrastão promovido entre os professores e estudantes.
Por telefone, a professora Liziane Alves, que já ministrou aula na unidade invadida, disse ao Jornal do Dia que esse grupo já era procurado pela polícia, inclusive nos municípios de Nossa Senhora das Dores, Cristinápolis e Tomar do Geru. "Ninguém tinha sossego. Obviamente não era esse fim que eu desejava para os assaltantes acostumados a fazer arrastão nas escolas, eu gostaria de vê-los na penitenciária e não no caixão, mas já que atiraram na polícia, e foram revidados da mesma forma, agora é continuar pedindo reforço da própria Polícia Militar para que outros grupos não sejam formados", declarou. A assessoria de comunicação da PMSE confirma que a guarnição necessitou revidar com disparos a fim de intimidar os marginais, para em seguida realizar a prisão.

